O Governo de Rondônia encerrou as ações do Janeiro Roxo com o fortalecimento da vigilância em saúde, ampliação do cuidado humanizado e o lançamento de um webdocumentário inédito sobre a história da hanseníase no estado. As iniciativas integram estratégias técnicas, assistenciais e comunicacionais voltadas ao enfrentamento da doença e à superação do estigma ainda associado ao tema.
Segundo o governador Marcos Rocha, o combate à hanseníase é tratado como prioridade da gestão estadual. “O estado tem investido na estruturação da rede de saúde, na qualificação das equipes e no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao diagnóstico oportuno e ao tratamento adequado, garantindo dignidade, acolhimento e cidadania às pessoas acometidas pela doença”, afirmou.
Avanços na vigilância e no diagnóstico
Em 2024, Rondônia superou a meta nacional de 80% na vigilância de contatos, alcançando 86,1%, resultado atribuído à integração entre estado, municípios e Ministério da Saúde. O período também foi marcado pela implementação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), introdução de testes rápidos para contatos, ampliação do uso de exames de biologia molecular (q-PCR) e fortalecimento do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), com apoio federal.
Entre 2023 e 2025, o estado registrou 1.153 casos novos de hanseníase, sendo 343 apenas em 2024, com taxa de detecção geral de 19,7 casos por 100 mil habitantes. As ações são desenvolvidas de forma integrada, com participação de profissionais de saúde, instituições sociais, comunidades religiosas e parceiros estratégicos.
Atuação da Agevisa
A coordenação das estratégias é realizada pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa/RO), por meio da Coordenação Estadual de Controle da Hanseníase (CECH). As frentes incluem capacitação contínua da Atenção Primária, supervisões técnicas, vigilância ativa de contatos, implantação de Grupos de Autocuidado (GAC), monitoramento epidemiológico e intervenções em municípios prioritários.

Para o diretor-geral da Agevisa/RO, Gilvander Gregório de Lima, a atuação vai além da vigilância epidemiológica. “O governo de Rondônia adota uma abordagem ampliada, que integra ações técnicas, sociais e comunicacionais, promovendo saúde com dignidade e contribuindo para a reparação de danos históricos causados por décadas de exclusão e invisibilidade social”, destacou.
Resgate histórico e comunicação em saúde
Como inovação, a Agevisa/RO lançou o webdocumentário “A História da Hanseníase em Rondônia”, disponível na plataforma de streaming do governo estadual. A produção resgata, de forma inédita, a memória da doença no estado, abordando o isolamento compulsório, a exclusão social e a discriminação enfrentados ao longo das décadas.

O material reúne pesquisa bibliográfica, história oral, investigação em campo e levantamento iconográfico, trazendo relatos de sobreviventes, familiares e instituições que atuaram no enfrentamento da hanseníase. O historiador Alípio Pinheiro participa da produção, que busca preservar a memória da saúde pública rondoniense.
A coordenadora estadual da hanseníase, Carmelita Ribeiro, reforça que o controle da doença vai além do tratamento medicamentoso. “A hanseníase tem cura, com tratamento ambulatorial gratuito pelo SUS, mas o enfrentamento efetivo exige informação de qualidade, fortalecimento dos grupos de autocuidado e ações educativas permanentes”, afirmou.
Para a jornalista da Agevisa/RO, Aurimar Lima, responsável pela produção, o resgate histórico é também uma ferramenta de educação em saúde. “Foram mais de um ano de pesquisas. O documentário se consolida como instrumento de enfrentamento ao estigma e à desinformação, além de preservar a memória da saúde pública de Rondônia”, destacou.









































