A acne deixou de ser um problema exclusivo da adolescência e passou a ganhar relevância crescente na vida adulta, especialmente entre mulheres. Estudos epidemiológicos recentes indicam que entre 40% e 50% das mulheres com idades entre 25 e 45 anos apresentam acne persistente ou de início tardio, cenário que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e abordagens personalizadas.
Uma das pesquisas mais citadas sobre o tema, publicada no British Journal of Dermatology e indexada no PubMed, aponta que 54% das mulheres acima dos 25 anos apresentam algum grau de acne facial, percentual significativamente maior do que o observado entre homens da mesma faixa etária. Já dados do Journal of the American Academy of Dermatology estimam prevalência clínica entre 12% e 14%, além de casos subclínicos que impactam a autoestima e a qualidade da pele. No Brasil, levantamentos observacionais confirmam tendência semelhante, com índices superiores a 40% em mulheres entre 25 e 55 anos.
Segundo a coordenadora do curso de Estética da Afya São Lucas, professora Jéssica Barreto, a acne adulta é uma condição multifatorial e não deve ser tratada apenas com produtos secativos. “Hoje sabemos que a acne na fase adulta envolve alterações hormonais, estresse crônico, hábitos de vida, alimentação e até o uso inadequado de cosméticos”, explica.
Hormônios, estresse e rotina moderna
Entre os principais fatores associados estão disfunções hormonais, como hiperandrogenismo e síndrome dos ovários policísticos (SOP), além das variações do ciclo menstrual. O estresse crônico também exerce influência direta ao elevar os níveis de cortisol, hormônio que estimula a produção sebácea e processos inflamatórios.
A rotina moderna contribui para o agravamento do quadro. Poluição urbana, privação de sono e uma alimentação rica em ultraprocessados, alimentos de alto índice glicêmico e laticínios favorecem o ambiente inflamatório da pele. “Sono irregular e dieta desequilibrada criam condições propícias para a persistência da acne”, ressalta a especialista.
Outro fator frequente é o uso inadequado de cosméticos, especialmente produtos comedogênicos e excesso de maquiagem. A tentativa de tratar a acne sem orientação profissional leva a erros comuns, como uso excessivo de sabonetes agressivos, esfoliantes físicos, ácidos sem prescrição e receitas caseiras. “Espremer lesões e abandonar o tratamento precocemente aumentam o risco de manchas e cicatrizes permanentes”, alerta Jéssica Barreto.
Abordagem estética e acompanhamento médico
Nos casos leves a moderados, o profissional de estética pode atuar na avaliação do grau da acne, na realização de procedimentos seguros e na orientação correta da rotina de cuidados. Já quadros moderados a graves, com presença de nódulos, cistos ou risco de cicatriz, devem ser encaminhados ao dermatologista.
Entre os procedimentos com melhor respaldo científico estão limpeza de pele profissional, LED terapia (luz azul e vermelha), peelings químicos específicos e alta frequência. O microagulhamento é indicado apenas após o controle da acne ativa, principalmente para o tratamento de cicatrizes.
Os resultados são graduais e variam conforme a gravidade do quadro. Em casos leves, a melhora pode ser observada entre quatro e seis semanas; já quadros moderados podem exigir até três meses de acompanhamento. “A pele adulta tem um ciclo de renovação mais lento, o que exige paciência e constância”, destaca a professora.
Há ainda diferenças importantes entre homens e mulheres. Enquanto a acne feminina sofre maior influência hormonal e costuma envolver pele mais sensível, a masculina tende a apresentar produção sebácea mais intensa e maior risco de cicatrizes. “O tratamento não é padronizado. Ele deve considerar sexo, idade, sensibilidade da pele e histórico do paciente para garantir resultados seguros e duradouros”, conclui Jéssica Barreto.






































