A Fundação do Câncer lançou uma nova versão do Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, trazendo orientações atualizadas sobre a mudança no rastreamento da doença no Brasil. O material integra as ações do Janeiro Verde, mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer ginecológico.
A principal novidade é a transição gradual do exame Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV, método mais moderno e sensível para detectar o vírus responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero. O guia é voltado a profissionais de saúde e acompanha as mudanças recentes nas políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, tanto a vacinação contra o HPV quanto o rastreamento passaram por atualizações importantes, especialmente ao longo de 2025, com ampliação do público-alvo e incorporação de novas tecnologias.
Mudança no método de rastreamento
Desde 2024, o SUS incorporou os testes moleculares de DNA-HPV para identificar os tipos oncogênicos do vírus. A implementação começou em setembro do ano passado, de forma gradual, inicialmente em municípios de 12 estados, com apoio do Ministério da Saúde.
Onde o novo método ainda não estiver disponível, o Papanicolau continua valendo, evitando interrupções no rastreamento. O guia já incorpora as recomendações das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Conitec, que preveem a substituição progressiva do exame citológico.
De acordo com o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, o novo teste amplia a capacidade de prevenção.
Enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares já existentes, o DNA-HPV detecta a infecção, permitindo diagnóstico mais precoce e maior efetividade das estratégias de controle da doença.
Público-alvo e periodicidade
O público-alvo do rastreamento permanece o mesmo no Brasil: mulheres de 25 a 64 anos. A periodicidade, porém, muda.
Com o Papanicolau, após dois exames anuais negativos, o intervalo passa a ser de três anos. Já com o teste molecular DNA-HPV, por ser mais sensível, o intervalo pode chegar a cinco anos quando o resultado é negativo.
Nos casos positivos para os tipos HPV 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer, o encaminhamento para colposcopia é imediato. Para outros tipos oncogênicos, a conduta varia conforme o resultado da citologia reflexa.
Prevenção, vacinação e metas globais
O Brasil aderiu à Estratégia Global da OMS para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero, que prevê, até 2030, 90% de cobertura vacinal, 70% de rastreamento com teste molecular e 90% de tratamento adequado dos casos diagnosticados.
A vacinação contra o HPV, disponível no SUS desde 2014, segue como o principal pilar da prevenção. Atualmente, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única, além de grupos prioritários. O Programa Nacional de Imunizações também atua no resgate de adolescentes não vacinados, após queda na cobertura durante a pandemia.
O guia reforça que a prevenção só é efetiva quando vacinação, rastreamento e tratamento oportuno funcionam de forma integrada.
“Não basta mudar o teste. Toda a rede de cuidado precisa estar estruturada”, destacou Flávia Corrêa.










































