O Ministério da Saúde, por meio do Proadi-SUS, financia o projeto Ártemis-Brasil para investigar a genética de pacientes que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. A pesquisa busca entender como o genoma humano influencia o risco de obstrução das artérias cerebrais e a resposta do organismo aos tratamentos médicos.
A neurologista Ana Cláudia de Souza, investigadora principal do projeto, explica que o mapeamento genético permitirá o desenvolvimento de medicamentos mais assertivos. Além do risco direto de AVC, o estudo avalia fatores hereditários ligados à pressão alta, diabetes e colesterol, que são gatilhos para a doença.
O estudo conta com a participação de 11 centros de alta complexidade em todas as regiões do país. O objetivo é recrutar mil participantes até o final de 2026, sendo 500 pacientes que sofreram AVC e 500 indivíduos saudáveis para fins de comparação e identificação de alterações genéticas específicas.
Dados da Rede Brasil AVC revelam que a doença voltou a ser a principal causa de morte no país, com 11 óbitos por hora em 2024. A iniciativa pretende reduzir esses índices ao introduzir a medicina de precisão na rede pública, capacitando equipes do SUS em aconselhamento genético e cuidados personalizados.
A pesquisa destaca-se por focar na diversidade da população brasileira, raramente representada em estudos genômicos globais, realizados majoritariamente na Europa e nos Estados Unidos. Os resultados podem servir de base para expandir o modelo de investigação genética para outros países da América Latina no futuro.









































