Governo federal avalia recorrer ao STF contra PEC dos agentes de saúde

Proposta aprovada no Senado cria regras especiais de aposentadoria sem fonte de compensação fiscal, podendo gerar custo de até 30 bilhões de reais.

Fonte: Francisco Rodrigo

Publicado em

Governo federal avalia recorrer ao STF contra PEC dos agentes de saúde
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

O governo federal estuda acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. A medida foi aprovada em dois turnos pelo Senado nesta terça-feira (14), mas enfrenta forte resistência da equipe econômica devido ao impacto previsto nas contas públicas, estimado entre 27 bilhões e 30 bilhões de reais ao longo da próxima década.

Exigência de compensação fiscal

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a judicialização é considerada provável porque a PEC não apresenta uma fonte de receita para cobrir o novo gasto. O ministro destacou que a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) determinam que a criação de novos benefícios previdenciários deve ser acompanhada de mecanismos que compensem o impacto orçamentário. “Se não estiver apontando fonte de receita, descumprindo a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo vá ao STF”, afirmou Durigan.

Impacto nas contas públicas

O governo classifica a matéria como uma “pauta-bomba”. O cálculo atuarial considera a redução das contribuições e a antecipação dos pagamentos dos benefícios. O Ministério da Fazenda ressalta que esse valor pode ser ainda maior, visto que as estimativas iniciais não contemplam eventuais revisões de aposentadorias que já foram concedidas. A preocupação central é manter o equilíbrio fiscal, um dos pilares da estratégia econômica da atual gestão.

Diálogo com o Legislativo
Apesar da aprovação pelo Senado, o governo manteve uma postura de diálogo com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. O objetivo dos encontros foi reforçar a importância de respeitar o arcabouço fiscal em projetos de alto custo. Do ponto de vista dos parlamentares, a diferenciação é justificada pela natureza das atividades dos agentes, que realizam visitas domiciliares e ações constantes de vigilância em saúde, o que, para os autores da PEC, legitimaria critérios previdenciários distintos da regra geral.

O que muda na prática

Atualmente, esses profissionais seguem as regras gerais estabelecidas após a Reforma da Previdência de 2019. Com a nova PEC, os agentes poderão se aposentar após 25 anos de efetivo exercício na função e de contribuição, desde que alcancem a idade mínima de 57 anos (mulheres) e 60 anos (homens). O texto aprovado também prevê regras de transição e amplia os benefícios para agentes indígenas de saúde e de saneamento, consolidando um regime diferenciado para a categoria.

Perguntas frequentes

Por que o governo cogita recorrer ao STF?

O governo alega que a PEC cria novos gastos previdenciários sem indicar uma fonte de receita compensatória, violando a Lei de Responsabilidade Fiscal e a jurisprudência do Supremo.

Qual o custo estimado da medida para os cofres públicos?

A projeção do governo aponta um impacto atuarial entre 27 bilhões e 30 bilhões de reais nos próximos dez anos.

O que diz a nova regra para os agentes de saúde?

Os profissionais poderão se aposentar após 25 anos de contribuição, respeitando a idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.

Qual a posição dos parlamentares?

Os congressistas defendem a aposentadoria especial devido às condições específicas de trabalho desses profissionais, que atuam na linha de frente da prevenção de doenças.

 

Com informações de Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS