Indígenas ocupam Brasília e aguardam anúncio de Lula sobre demarcações

Líderes da 22ª edição do Acampamento Terra Livre pedem agilidade na homologação de 107 territórios; duas marchas estão programadas para esta semana.

Fonte: Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - 20

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Indígenas ocupam Brasília e aguardam anúncio de Lula sobre demarcações
© Valter Campanato/Agência Brasil

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Lideranças indígenas de todas as regiões do Brasil iniciaram, nesta terça-feira (7), a programação da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), no Eixo Monumental, em Brasília. O movimento, que reúne mais de 6 mil pessoas, vive a expectativa de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao evento. O objetivo central do encontro é cobrar celeridade no processo de demarcação de terras, além de discutir políticas de proteção territorial. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), existe um passivo histórico que demanda ações urgentes do governo federal ainda este ano.

O coordenador da Apib, Kleber Karipuna, destacou que um documento técnico e jurídico apontando 107 terras indígenas aptas para regularização já foi entregue ao Executivo. O movimento defende que o Brasil assuma o compromisso de proteger 58 milhões de hectares nos próximos cinco anos. Embora o governo tenha homologado 20 territórios desde 2023, totalizando 2,2 milhões de hectares, as lideranças consideram o avanço insuficiente. A pauta também inclui a preocupação com a violência crescente contra mulheres indígenas, que se tornaram alvos frequentes em áreas de conflito externo às aldeias.

A programação da semana prevê dois grandes atos públicos na capital federal. A primeira marcha ocorre nesta terça-feira, às 9h, em direção à Praça dos Três Poderes, onde os manifestantes devem se reunir com parlamentares e representantes do governo. A segunda mobilização está agendada para quinta-feira (9), às 14h, sob o lema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. De acordo com a Apib, pelo menos 76 terras já estão prontas para a homologação final, dependendo apenas da assinatura presidencial.

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) ressaltou que a criação da pasta em 2023 rompeu com a visão tutelar de décadas, colocando indígenas em cargos de decisão. O órgão afirmou que as ações dos últimos três anos foram fundamentais para recuperar direitos desmantelados em gestões anteriores. Enquanto o governo destaca os 2,2 milhões de hectares já garantidos, o movimento indígena reforça que a mobilização em Brasília serve para colaborar com o avanço de desintrusões e garantir o usufruto exclusivo das terras por cada povo em suas respectivas regiões.

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