O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (12) o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo de Donald Trump para políticas voltadas ao Brasil. A decisão representa um recuo do ministro, que anteriormente havia sinalizado a possibilidade da visita para o dia oficial de entrada na prisão (quarta-feira), mas barrou o encontro após manifestação contrária do Ministério das Relações Exteriores.
Moraes justificou que a visita não estava inserida no contexto diplomático que justificou a concessão do visto de Beattie. Segundo o Itamaraty, o assessor estadunidense ingressou no país com o propósito oficial de participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, em São Paulo, e reuniões com autoridades brasileiras. O ministro ressaltou que a tentativa de visita a um preso condenado, sem comunicação prévia às autoridades diplomáticas, poderia ensejar inclusive a reanálise do visto concedido ao representante estrangeiro.
Risco diplomático e “ingerência” em ano eleitoral
A proibição foi fundamentada em um ofício enviado pelo chanceler Mauro Vieira. O ministro das Relações Exteriores alertou que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente condenado, especialmente em um ano eleitoral (2026), poderia configurar uma “indevida ingerência” nos assuntos internos do Brasil. O governo brasileiro enfatizou que a embaixada dos EUA não mencionou o encontro com Bolsonaro ao informar a agenda de Beattie no país.
Jair Bolsonaro está cumprindo pena de 27 anos e três meses de reclusão desde o final de 2025, após ser condenado pela Primeira Turma do STF por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado. Ele está custodiado no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda, em Brasília local destinado a presos com prerrogativas especiais, popularmente conhecido como “Papudinha”.









































