O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negou nesta quarta-feira (11), perante a CPI do Crime Organizado no Senado, qualquer envolvimento da gestora com a lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa, que chegou a administrar R$ 341 bilhões em ativos, foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026 após investigações apontarem conexões com fraudes bilionárias atribuídas ao Banco Master.
Mansur utilizou parte de seu depoimento para defender a estrutura de governança da Reag, alegando que a companhia possuía auditorias internacionais e funcionava sob um modelo de partnership. Segundo o empresário, a menção ao PCC não constaria nas milhares de páginas do procedimento da Operação Carbono Oculto. Ele justificou a crise da empresa como uma penalização de mercado por ser uma instituição “grande e independente”, embora tenha admitido que o Banco Master era um de seus clientes.
As investigações da Polícia Federal e o relatório do Banco Central, no entanto, apresentam um cenário mais complexo. O senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI, destacou que fundos da Reag teriam sido utilizados para movimentar R$ 250 milhões da facção criminosa. Além disso, o BC aponta que a gestora teria ocultado os reais beneficiários de cerca de R$ 11 bilhões desviados do sistema financeiro. O crescimento exponencial da Reag que saltou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões sob gestão em apenas cinco anos é um dos principais pontos de suspeita dos parlamentares.
A CPI também mira as operações “Compliance Zero” e “Quasar”, que investigam se a Reag atuou na criação de empresas de fachada para acobertar esquemas do banqueiro Daniel Vorcaro. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou o silêncio parcial do depoente, que se recusou a responder perguntas diretas sobre as razões de ser alvo da PF. Paralelamente, a CPI aprovou mais de 20 novos requerimentos para quebra de sigilos bancários e fiscais de envolvidos no chamado “braço financeiro do PCC” na Avenida Faria Lima.







































