O debate sobre o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) ganhou força no cenário político brasileiro, com o governo federal e movimentos sociais defendendo a redução da jornada máxima para 40 horas semanais e a adoção do modelo 5×2. A proposta é vista como uma medida crucial para combater a exaustão física e mental dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que enfrentam o peso da dupla jornada. Dados do IBGE (2022) revelam que mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos, quase o dobro das 11,7 horas dedicadas pelos homens.
Relatos de trabalhadoras como a cobradora Denise Ulisses e a auxiliar Tiffane Raane ilustram a dureza do modelo atual. Para elas, a folga única dominical é consumida por tarefas domésticas e cuidados com os filhos, eliminando o tempo para lazer, estudo ou descanso real. Segundo o Ministério das Mulheres, essa sobrecarga é um fator direto de adoecimento e impede a qualificação profissional feminina. A expectativa é que o tempo adicional de folga possa estimular uma divisão mais equilibrada das tarefas domésticas entre os gêneros.
Embate Econômico e Produtividade
Apesar do forte apoio popular — 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, segundo pesquisa Nexus —, entidades patronais demonstram forte resistência. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimam impactos financeiros que, somados, ultrapassam R$ 380 bilhões anuais. A CNC alerta que a mudança pode elevar o preço final de produtos em até 13%. Por outro lado, economistas da Unicamp projetam um cenário otimista, estimando a criação de até 4,5 milhões de novos empregos e um aumento na produtividade devido à redução da fadiga laboral.
Tramitação no Congresso
A discussão está centralizada na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta, encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com previsão de votação em plenário para maio de 2026. Paralelamente, o governo federal sinaliza que pode enviar um projeto de lei com regime de urgência caso a tramitação legislativa não avance rapidamente. O movimento é impulsionado por uma petição online do grupo “Vida Além do Trabalho” (VAT), que já colheu quase 3 milhões de assinaturas em favor de um modelo laboral mais flexível e humano.










































