O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo contundente pela paz e pelo combate à fome durante a abertura da 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, nesta quarta-feira (4), em Brasília. Em seu discurso, Lula criticou a atual corrida armamentista, destacando que os US$ 2,7 trilhões gastos em conflitos no último ano seriam suficientes para destinar cerca de US$ 4.285 a cada uma das 630 milhões de pessoas que passam fome no planeta. Para o presidente, a fome não decorre de problemas climáticos, mas de uma “irresponsabilidade” de governantes que priorizam a guerra.
Lula direcionou críticas severas ao Conselho de Segurança da ONU, afirmando que a organização está perdendo credibilidade ao “ceder ao fatalismo dos senhores das guerras”. O presidente cobrou uma postura ativa dos cinco membros permanentes para que priorizem a produção de alimentos em vez do fortalecimento de arsenais e tecnologias de destruição, como drones e caças de última geração. Ele ressaltou que a Constituição Brasileira opta por não possuir armas nucleares, defendendo a América Latina como uma zona de estabilidade e paz.
O presidente também condenou a criação do “Conselho de Paz” pelo governo de Donald Trump para a reconstrução da Faixa de Gaza. Lula classificou a iniciativa como contraditória, questionando a moralidade de planejar reconstruções após a destruição massiva que vitimou mulheres e crianças na região. O petista criticou a retórica militarista de Trump, sugerindo que o líder norte-americano deveria focar na capacidade de distribuição de alimentos em vez de exaltar o tamanho de seu exército.
Ao final, Lula elogiou o papel técnico da FAO, mas reiterou que a ONU precisa retomar os princípios de sua carta de fundação de 1945 para evitar que o mundo siga em direção a conflitos cada vez mais onerosos e fatais.










































