O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu nesta segunda-feira, 23, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Em entrevista à Rádio Nacional, Boulos argumentou que o modelo atual de segurança é limitado pelas divisões estaduais, o que dificulta o combate a facções que operam em escala nacional. Segundo ele, a PEC moderniza a atuação da Polícia Federal e amplia a coordenação federal em áreas antes restritas às atribuições dos estados.
Durante a estreia do programa Alô Alô Brasil, o ministro ressaltou que, se o crime organizado ultrapassa fronteiras estaduais, as polícias civis locais não conseguem combatê-lo de forma sistêmica. Boulos também comentou sobre a possível cooperação com os Estados Unidos, prevista para ser discutida entre os presidentes Lula e Donald Trump em março. Para o ministro, qualquer parceria deve focar na extradição de criminosos brasileiros que se refugiam em mansões no exterior, e não na interferência em recursos naturais da América Latina.
Sem citar nomes diretamente, Boulos mencionou o caso do empresário Ricardo Magro, investigado por um esquema de sonegação fiscal bilionário no setor de combustíveis. O ministro sugeriu que, se os EUA desejam colaborar com a segurança do continente, deveriam começar deportando investigados pela Justiça brasileira que vivem em Miami. A declaração reforça a postura do governo de focar na asfixia financeira do crime organizado e na captura de líderes de esquemas de colarinho branco.
O ministro também abordou temas internos, citando investigações de fraudes no INSS e a postura do governo diante de indicações políticas envolvidas em irregularidades. Boulos defendeu a transparência e o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) na manutenção da democracia, embora tenha pontuado que críticas a decisões individuais de ministros — como as relacionadas ao Banco Master — fazem parte de um debate democrático saudável, desde que não visem o fechamento das instituições.
A PEC da Segurança Pública segue como uma das prioridades do governo no Congresso para o primeiro semestre de 2026. A proposta enfrenta debates sobre a autonomia dos estados, mas o governo aposta na necessidade de uma estratégia unificada para reduzir os índices de violência e desarticular as rotas de tráfico e lavagem de dinheiro que conectam as capitais brasileiras.









































