O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua visita oficial à Índia neste domingo, 22, com um forte apelo à cooperação entre as nações em desenvolvimento. Em coletiva de imprensa em Nova Delhi, antes de seguir para a Coreia do Sul, Lula argumentou que países como Brasil, Índia e outros do Sul Global devem agir em bloco para “mudar a lógica econômica do mundo”, combatendo o que chamou de persistente colonização tecnológica e econômica.
O fortalecimento do Brics foi apontado como peça-chave nessa estratégia. O presidente destacou que o bloco está consolidando sua identidade, especialmente através do seu banco próprio, e sugeriu que o grupo poderia se integrar ao G20 para formar uma governança global mais robusta, como um “G30”. Ele reforçou a defesa do uso de moedas locais no comércio entre os membros para reduzir custos e a dependência do dólar, embora tenha negado planos para a criação de uma moeda única do bloco.
No campo da segurança internacional, Lula reiterou a necessidade de reforma da ONU para que a organização recupere a legitimidade e possa interferir de forma eficaz em conflitos como os de Gaza, Ucrânia e crises na Venezuela. Ele criticou ações unilaterais de grandes potências e defendeu que a diplomacia multilateral é o único caminho para a paz e para o foco em problemas globais urgentes, como a fome e a violência contra a mulher.
Sobre a relação com os Estados Unidos, o presidente demonstrou abertura para parcerias no combate ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico, ressaltando que pretende discutir com o presidente Donald Trump o papel estadunidense na América do Sul. Lula enfatizou que a região é uma zona de paz e que espera um tratamento respeitoso e colaborativo, em vez de ameaças. Quanto ao comércio de minerais críticos e terras raras, o líder brasileiro foi enfático: o Brasil não aceitará ser apenas exportador de matéria-prima.
A comitiva brasileira desembarca ainda hoje em Seul, na Coreia do Sul. A visita de Estado visa elevar a relação bilateral a um patamar de parceria estratégica com a adoção do Plano de Ação Trienal 2026-2029. O foco será a atração de investimentos em semicondutores, hidrogênio verde e infraestrutura, consolidando a agenda asiática iniciada na última semana.










































