Não se trata de exagero retórico, mas de uma percepção recorrente tanto entre aliados quanto entre adversários: Marcos Rocha jamais conseguiu se consolidar como um líder político de fato. Ao longo de seu governo, faltaram-lhe atributos básicos exigidos de quem conduz um Estado — capacidade de ouvir, de formar e preservar uma base política estável e, sobretudo, de cultivar relações duradouras.
Rocha não pode ser acusado de falta de oportunidades. Ao contrário: teve várias. O que se observa é que nenhuma delas foi plenamente aproveitada ou mantida. Seu governo se notabilizou por rupturas sucessivas, muitas vezes sem explicações públicas convincentes, criando um ambiente de instabilidade política permanente.
O caso de Breno Mendes é ilustrativo. Aliado em um primeiro momento, lançou-se candidato à prefeitura contando com o apoio natural da máquina estadual. O que se viu, no entanto, foi um governador desmotivado e distante do projeto, contribuindo para uma derrota histórica de quem, em tese, partia em vantagem competitiva.
Fernando Máximo é outro exemplo emblemático. Cresceu politicamente sob a estrutura do governo, ganhou visibilidade e musculatura eleitoral. No instante em que passou a expressar opiniões próprias, tornou-se persona non grata, tratado como traidor pelo governador e por seu entorno mais próximo.
O mesmo roteiro se repete com Júnior Gonçalves, peça-chave na articulação do segundo turno de 2018. Ao exercer aquilo que a política exige — estratégia e leitura de cenário — foi igualmente rotulado como traidor. Sérgio Gonçalves, o vice-governador frequentemente apresentado como “escolhido por Deus”, seguiu o mesmo destino: afastamento e desconfiança.
Nem mesmo Hildon Chaves escapou desse padrão. Aproximou-se de Marcos Rocha com a promessa de destravar a rodoviária da capital e com a expectativa política de construir um caminho natural para o governo do Estado. Hoje, vê-se isolado, com portas fechadas e compromissos esvaziados.
Não se pode esquecer também de seu ex-vice-governador, José Jordan, lançado ao esquecimento após o primeiro mandato e descartado politicamente pelo próprio Marcos Rocha, em mais um episódio que reforça o padrão de rompimentos e abandono de antigos aliados.
Diante desse histórico, a pergunta se impõe: quem, afinal, consegue permanecer ao lado de Marcos Rocha sem ser descartado ao longo do caminho? O discurso de alinhamento com Jair Bolsonaro nunca se traduziu em capital político concreto. Não houve convite formal, tampouco protagonismo nacional, e o governador sequer conseguiu se viabilizar dentro do Partido Liberal.
O saldo é claro: um governo marcado menos por liderança e mais por conveniência momentânea. Um exemplo tácito de como a falta de articulação política, de humildade institucional e de visão estratégica cobra seu preço — não apenas ao governante, mas ao próprio Estado de Rondônia.

Ayel Muniz é formado em Administração pelo Centro Universitário São Lucas, militar da reserva e possui experiência em articulação institucional nas esferas militar e pública. Atuou como vice-presidente do Partido Renovação Democrática, com participação em processos políticos, organizacionais e estratégicos, mantendo foco em gestão, responsabilidade institucional e desenvolvimento público.











































