O episódio da liquidação do Banco Master pelo Banco Central expôs não apenas fraudes bilionárias no sistema financeiro, mas também uma disputa institucional que coloca em xeque o papel do Tribunal de Contas da União (TCU) e a forma como seus ministros são escolhidos. No centro dessa controvérsia está Jhonatan de Jesus, médico e ex-deputado federal, indicado ao TCU por articulação política. Sua atuação no caso revela uma mudança brusca de postura e levanta suspeitas sobre motivações que vão além da técnica.
O modelo de indicação política — O TCU é um órgão de controle externo essencial para a fiscalização da aplicação de recursos públicos. No entanto, seus ministros não são escolhidos por concurso, mas por indicação política. Essa característica, prevista na Constituição, abre espaço para que ex-parlamentares e figuras sem carreira técnica assumam funções de enorme relevância. O caso de Jhonatan de Jesus é emblemático: sua trajetória política antecede a chegada ao tribunal, e sua atuação recente reforça o debate sobre a necessidade de repensar esse modelo.
A linha do tempo da atuação — Em maio de 2025, Jhonatan rejeitou pedido de inspeção sobre atos do Banco Central relacionados ao Banco Master. À época, não havia revelação pública de fraudes, e sua postura foi de não intervenção. Em novembro, tudo mudou. No mesmo dia em que a Polícia Federal revelou fraudes bilionárias e o Banco Central decretou a liquidação do Master, Jhonatan determinou inspeção imediata nos documentos do BC, exigiu explicações em 72 horas e chegou a sinalizar a possibilidade de reverter a liquidação.
Essa guinada repentina gerou estranheza e levantou suspeitas de motivação política. Nos meses seguintes, mesmo diante de provas criminais robustas, Jhonatan manteve a ofensiva contra o BC. Em dezembro, sua postura foi duramente criticada por ministros do Supremo Tribunal Federal, que consideraram a atuação “um absurdo” e apontaram extrapolação de competências. Em janeiro de 2026, com novas diligências da Polícia Federal em curso, o ministro continuou pressionando, apesar da resistência crescente dentro e fora do TCU.
Suspeitas e interpretações — A mudança brusca de postura, a tentativa de reverter uma liquidação — prerrogativa exclusiva do Banco Central — e sua origem política alimentam a percepção de que Jhonatan pode estar movido por interesses que não são apenas técnicos. A insistência em questionar a liquidação, mesmo diante de fraudes comprovadas, reforça essa leitura. O episódio expõe fragilidades institucionais e coloca em evidência os riscos da politização de órgãos de controle.
O papel da Polícia Federal — Enquanto o TCU travava uma disputa com o Banco Central, a Polícia Federal avançava nas investigações, confirmando fraudes bilionárias em títulos e operações irregulares. O contraste é evidente: de um lado, provas criminais robustas; de outro, uma ofensiva institucional que parecia desconsiderar a gravidade dos fatos. Essa dissonância temporal entre as descobertas da PF e a atuação de Jhonatan intensifica as suspeitas sobre suas intenções.
Reflexão final — O caso Banco Master não é apenas sobre fraudes financeiras. Ele revela a necessidade urgente de repensar o processo de escolha dos ministros do TCU. A indicação política de ex-parlamentares fragiliza a credibilidade do órgão e abre espaço para disputas que comprometem a autonomia técnica de instituições como o Banco Central. A postura de Jhonatan de Jesus, marcada por contradições e suspeitas, é um alerta: é hora de discutir uma mudança constitucional que garanta que o TCU seja composto por auditores concursados, com carreira técnica sólida e independência institucional. Só assim será possível preservar a confiança da sociedade e a estabilidade do sistema financeiro.











































