O ano de 2026 já começou e, para muitos brasileiros, não traz consigo qualquer sinal concreto de esperança. O cenário político nacional, estadual e municipal segue marcado por descrédito, polarização e ausência de perspectivas reais de mudança, especialmente para regiões historicamente negligenciadas como Rondônia e sua capital, Porto Velho.
No plano nacional, o país se prepara para eleições gerais que escolherão presidente da República, governadores, dois terços do Senado, deputados federais e estaduais. A polarização extrema deve novamente dominar os debates, ditando regras e empobrecendo o diálogo político. Tudo indica que o atual presidente Lula pode sair fortalecido, diante do desgaste da direita e da extrema-direita, ainda sem um nome competitivo consolidado, mesmo com movimentos iniciais de figuras como Flávio Bolsonaro.
Com Jair Bolsonaro e aliados fora do jogo político direto, por conta de processos e condenações, o cenário aponta para a continuidade do atual projeto de poder. Para críticos, trata-se de um ciclo esgotado. A percepção é de que Lula “já deu o que tinha que dar”, mas sua saída definitiva da política poderia, paradoxalmente, abrir espaço para o retorno de discursos autoritários e reacionários no futuro.
Apesar de ser um país rico, o Brasil segue convivendo com profunda desigualdade social, baixo índice de desenvolvimento humano e mínima participação popular na riqueza produzida. Nem a direita conservadora nem a esquerda que se apresenta como progressista demonstram disposição efetiva para enfrentar essas distorções históricas. Independentemente do vencedor em 2026, a avaliação crítica é de que as estruturas permanecerão praticamente intactas, com mudanças apenas superficiais.
Em Rondônia, o quadro é igualmente desolador. Com participação irrisória no PIB nacional e menos de 1% da população do país, o estado continua marcado por fome, miséria, conflitos fundiários e agressões ambientais. A destruição da Amazônia, os incêndios florestais, a fumaça tóxica, a energia elétrica cara — apesar das hidrelétricas — e a precariedade da infraestrutura seguem como problemas crônicos, pouco enfrentados pela classe política local.
A situação se agrava na capital. Porto Velho, frequentemente apontada como uma das piores capitais brasileiras em qualidade de vida e saneamento básico, continua convivendo com esgotos a céu aberto, falta de arborização, violência, favelização e ausência de serviços públicos essenciais. Quase meio milhão de habitantes ainda sofre sem acesso pleno à água potável e à limpeza urbana, numa realidade que envergonha o país.
Após um ano da atual gestão municipal, a percepção crítica é de que pouco ou nada mudou, especialmente na ampliação da rede de esgoto e na melhoria estrutural da cidade. O novo ano não garante soluções automáticas: problemas antigos permanecem, e as promessas se repetem.
Assim, o sentimento que marca o início de 2026 é o de continuidade das infâmias históricas, com os mesmos problemas, os mesmos discursos e os mesmos atores políticos. O calendário muda, mas, para muitos, o país, Rondônia e Porto Velho seguem presos a um ciclo de abandono e frustração.










































