O cacique Raoni Metuktire voltou a defender a preservação da Amazônia e a criticar os projetos de exploração de petróleo e mineração em terras indígenas. O líder participou da “barqueata” da Cúpula dos Povos, um evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém, no Pará, e revelou ter cobrado diretamente as autoridades.
O líder indígena, da etnia Caiapó, afirmou ter tratado do tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente francês Emmanuel Macron, pedindo a ambos que “não autorizem perfurações na floresta”.
Crítica à Exploração de Petróleo
O cacique Raoni destacou sua intenção de continuar pressionando o governo brasileiro sobre o tema. “Eu falei com o presidente Lula para ele não procurar petróleo aqui. Vou continuar cobrando. Penso em marcar um novo encontro com ele para falar sobre isso. Temos que ser respeitados”, afirmou.
A crítica ocorre logo após a Petrobras obter, no fim de outubro, a licença do Ibama para iniciar operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial. A região, localizada no norte do país, é vista como um novo pré-sal pelo seu potencial de petróleo, mas a exploração é criticada por ambientalistas que temem graves impactos ambientais. O governo federal argumenta que a licença foi técnica e rigorosa.
A Amazônia e a Responsabilidade Global
Raoni, que atua na defesa dos direitos indígenas desde os anos 1950, enfatizou que a Amazônia é essencial para o mundo e que o Brasil tem uma responsabilidade global. Ele pediu que todas as nações ajam com consciência e respeito à floresta.
“Quando encontro autoridades lá fora do país, nenhuma me oferece dinheiro em troca de madeiras no meu território, nenhum me oferece dinheiro em troca de minérios no meu território. Mas eu os cobro diretamente. Ninguém deve comprar nossas terras ou nossas madeiras. Preciso falar para que nosso território seja preservado e respeitado para a gente viver bem nas nossas terras”, complementou.
Com cerca de 90 anos, o líder alertou que o desmatamento tem consequências sérias, como a seca dos rios, um problema visível atualmente. “Se continuar o desmatamento, nossos filhos e netos vão ter problemas sérios. O nosso território garante a respiração do mundo inteiro”, disse Raoni.
Ele destacou ainda a importância da participação das mulheres indígenas nas mobilizações. “Elas estão tendo opinião, estão com vontade de participar. Eu apoio e gosto das mulheres que estão junto com a gente nessas mobilizações”, concluiu.










































