Uma operação deflagrada nas primeiras horas desta sexta-feira (20), em Manaus, escancarou a ousadia do crime organizado ao apontar a infiltração de integrantes da facção dentro de órgãos públicos do Amazonas. Batizada de Erga Omnes, a ação foi coordenada pela Polícia Civil do Estado do Amazonas e resultou na expedição de 24 mandados de prisão.
De acordo com as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 70 milhões, valor identificado a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que detectou transações consideradas atípicas e incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
Segundo o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a organização criminosa contava com o apoio direto de servidores públicos. “Seja oferecendo suporte, abrindo espaço para atuação na administração pública ou fornecendo informações sigilosas”, detalhou ele ao site A Crítica.

Entre os investigados estão servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), uma ex-secretária de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida, e até uma investigadora da própria Polícia Civil do Estado do Amazonas. Para os investigadores, o dado mais alarmante é a amplitude da rede de apoio institucional que dava sustentação às atividades ilícitas.
Em nota oficial, a Prefeitura de Manaus afirmou que não é alvo da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas. A manifestação ocorreu após a prisão de investigados entre eles a ex-chefe de gabinete do prefeito no âmbito da investigação que apura a atuação de uma organização criminosa com ramificação interestadual. Até o início desta manhã, 13 mandados haviam sido cumpridos. Em São Paulo, um homem identificado como Alan K., apontado como líder da organização, conseguiu fugir durante a madrugada. A esposa dele foi presa.
As apurações indicam que o grupo atuava principalmente no transporte de drogas a partir de Tabatinga, na tríplice fronteira, com destino a outros estados do país. Para camuflar a logística criminosa, a organização usava empresas de fachada no ramo de transporte. Apesar das tentativas de disfarce, as firmas não apresentavam movimentações compatíveis com as atividades declaradas e mantinham relações financeiras diretas com os servidores investigados.
A Polícia Civil afirma que a organização mantinha uma estrutura estratégica de cooptação dentro do serviço público, garantindo proteção, vazamento de dados e facilidades operacionais. A operação segue em andamento e novas prisões não estão descartadas.










































