A investigação sobre a morte do cão Orelha, animal comunitário da Praia Brava em Florianópolis, atingiu um novo patamar nesta terça-feira (27). A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três adultos, dois empresários e um advogado, pelo crime de coação no curso do processo. Os indiciados são pais e um tio dos adolescentes suspeitos de espancar o animal.
De acordo com o relatório da Delegacia de Proteção Animal (DPA), os adultos teriam ameaçado o vigilante de um condomínio de luxo na região. A testemunha possuía um registro fotográfico que poderia comprometer os menores e colaborar com o esclarecimento da agressão brutal ocorrida no início de janeiro.
O crime de coação foi levado a sério pelas autoridades devido ao perfil dos envolvidos e à gravidade das ameaças. Para garantir sua integridade física, o vigilante foi afastado de suas funções no condomínio. Ao todo, 22 pessoas foram ouvidas apenas neste inquérito paralelo que apura a interferência de familiares no caso Orelha.
“Os indiciados presenciaram ou souberam da conduta dos jovens e tentaram impedir que a verdade viesse à tona por meio de intimidação”, detalhou a polícia em coletiva. Apesar dos pedidos, a Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos envolvidos, o que limita parte das provas digitais.
A Polícia Civil dividiu o trabalho em dois núcleos distintos para garantir o cumprimento das leis vigentes, especialmente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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Ato Infracional: Conduzido pela DEACLE, foca na agressão física contra o cão Orelha e na tentativa de afogamento do cão Caramelo. Os quatro adolescentes já foram identificados.
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Inquérito Policial: Conduzido pela DPA, foca no crime cometido pelos adultos (empresários e advogado) contra as testemunhas.
| Perfil dos Indiciados | Crime Apurado | Vítima da Coação |
| 2 Empresários | Coação no curso do processo | Vigilante de condomínio |
| 1 Advogado | Coação no curso do processo | Vigilante de condomínio |
O laudo pericial confirmou que o cão Orelha sofreu um traumatismo craniano causado por um objeto contundente. O animal de 10 anos, descrito por moradores e turistas como dócil e alegre, não resistiu e precisou ser submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro.
A delegada Mardjoli Valcareggi ressaltou que, embora o espancamento não tenha sido filmado, imagens dos adolescentes carregando o cão Caramelo para o mar servem como evidência do comportamento agressivo do grupo no mesmo período. A polícia agora aguarda o retorno dos dois adolescentes que estão em viagem aos Estados Unidos para concluir a apuração dos atos infracionais.








































