I Congresso Rondoniense de Reabilitação marca avanço na qualificação da gestão e propõe agenda permanente para Rondônia

Promovido pelo IESPRO em 30 de setembro, congresso reuniu gestores e profissionais para discutir acesso, integração dos serviços e qualificação da reabilitação.

Fonte: News Rondonia

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I Congresso Rondoniense de Reabilitação marca avanço na qualificação da gestão e propõe agenda permanente para Rondônia

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Evento realizado pelo IESPRO, com apoio do Ministério Público de Rondônia, reuniu gestores, profissionais e instituições para discutir caminhos para uma rede de reabilitação mais integrada, acessível e centrada nas necessidades da população.

Rondônia deu um importante passo na construção coletiva de políticas e estratégias voltadas à reabilitação com a realização do I Congresso Rondoniense de Reabilitação, promovido pelo Instituto Estadual de Educação em Saúde Pública de Rondônia (IESPRO), por meio da Articulação de Educação Permanente. O evento ocorreu no dia 30 de setembro de 2026 e teve como eixo central a qualificação da gestão como caminho para transformar e melhorar o cuidado oferecido à população rondoniense.

A programação contou com o apoio do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), que sediou as atividades do período da manhã. Na abertura, esteve presente o promotor de Justiça Dr. Everson Antônio Pini, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Defesa dos Direitos Humanos (GAEDH), reforçando a aproximação institucional em torno da defesa dos direitos das pessoas com deficiência e do fortalecimento das políticas públicas de inclusão e reabilitação.

A organização do Congresso teve entre suas lideranças o fisioterapeuta e Professor Doutor Rodrigo Moreira Campos, que conduziu a palestra “Reabilitação em Rondônia: de onde viemos e para onde vamos?”. Sua apresentação trouxe uma perspectiva histórica sobre a construção da reabilitação no estado e ressaltou a necessidade de preservar a memória das instituições, dos profissionais e das iniciativas que contribuíram para a evolução desse cuidado ao longo dos anos.

Um dos pontos centrais defendidos por Rodrigo Campos foi a mudança da compreensão da reabilitação: de uma visão historicamente relacionada à assistência isolada para um modelo multiprofissional, integrado, baseado em funcionalidade, autonomia, qualidade de vida e garantia de direitos. A apresentação também abordou o enfrentamento ao capacitismo, o fortalecimento do Projeto Terapêutico Singular, a educação permanente, as residências em saúde e a pesquisa como instrumentos para qualificação da assistência.

Durante sua participação, Rodrigo também apresentou a intenção de contribuir para a construção de um registro histórico da reabilitação em Rondônia, reunindo os marcos e experiências que ajudaram a estruturar a área no estado. Ao projetar os próximos passos, defendeu que o Congresso ultrapasse a condição de evento isolado e se consolide como uma agenda permanente e anual do Governo do Estado de Rondônia, criando um espaço contínuo de avaliação, planejamento, produção de conhecimento e articulação da rede.

A manhã também contou com apresentação científica sobre o atual cenário da reabilitação no estado, com destaque para a necessidade de continuidade do cuidado após a alta hospitalar, fortalecimento da assistência territorial e ampliação do conhecimento da população sobre os serviços disponíveis. Entre os produtos apresentados esteve uma cartilha desenvolvida no contexto da residência multiprofissional para orientar pacientes e familiares sobre os pontos da rede, Centros Especializados em Reabilitação, órteses, próteses e outros recursos assistivos.

Gestores compartilham experiências e desafios da rede

Outro momento de destaque foi a mesa-redonda “Gestão no Cuidado de Centros de Reabilitação no Estado de Rondônia – Experiências”, mediada pela professora Samantha de Freitas Campos. O espaço reuniu representantes de diferentes instituições e serviços para apresentar práticas, indicadores, dificuldades e experiências exitosas relacionadas à atenção às pessoas com deficiência.

A discussão evidenciou avanços importantes na estruturação da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, mas também apontou desafios que ainda precisam ser enfrentados, como filas de espera, grandes distâncias territoriais, dificuldades de regulação, necessidade de qualificação profissional, desigualdade de acesso entre as regiões e necessidade de maior integração entre atenção primária, hospitais e serviços especializados. O documento do Congresso registra a existência de nove Centros Especializados em Reabilitação em Rondônia, além de propostas de ampliação da rede.

Foram compartilhadas ainda experiências envolvendo atendimento multiprofissional, fornecimento de órteses e meios auxiliares de locomoção, inclusão social, tecnologias aplicadas à reabilitação, prontuário eletrônico, estimulação precoce e estratégias voltadas à autonomia e à participação das famílias. A discussão reforçou que os resultados da reabilitação não devem ser avaliados apenas por números de atendimentos, mas também pelos efeitos sobre funcionalidade, autonomia, inclusão e qualidade de vida das pessoas atendidas.

Educação permanente como estratégia para transformar o cuidado

No período da tarde, as atividades foram transferidas para o IESPRO, onde ocorreram cursos voltados à Atenção Domiciliar no SUS, à Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) e à ocupação humana no contexto da reabilitação. Ao todo, 47 participantes estiveram envolvidos nas atividades formativas, representando serviços de reabilitação, centros especializados, instituições de ensino e outros componentes da rede estadual.

A programação reforçou um dos principais fundamentos defendidos pelo Congresso: melhorar a gestão para melhorar o cuidado. Ao aproximar gestores, trabalhadores, pesquisadores, instituições formadoras, órgãos de defesa de direitos e serviços assistenciais, o I Congresso Rondoniense de Reabilitação estabeleceu um espaço estratégico para que Rondônia possa discutir seus próprios desafios, reconhecer suas experiências exitosas e construir soluções adequadas às diferentes realidades do território.

Mais do que registrar um evento inédito, o Congresso deixa como perspectiva a construção de uma agenda permanente para a reabilitação no estado, capaz de acompanhar indicadores, ampliar a integração entre os serviços, qualificar profissionais e manter no centro das decisões a pessoa, sua família, sua autonomia e seu direito a um cuidado integral. Conforme registrado na relatoria do evento, a educação permanente foi reafirmada como instrumento de apoio à qualificação da gestão e à melhoria da atenção em reabilitação em Rondônia.

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