Voto feminino no Brasil resiste à misoginia há 135 anos

Ataques ao voto feminino se repetem desde o século XIX, enquanto especialistas destacam que o sufrágio universal é um direito constitucional consolidado no Brasil.

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Voto feminino no Brasil resiste à misoginia há 135 anos
© Acervo Arquivo Nacional

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O voto feminino no Brasil voltou ao centro do debate público após declarações que questionam a participação das mulheres nas eleições. Embora o assunto tenha ganhado repercussão em 2026, pesquisadoras afirmam que esse tipo de discurso não representa uma novidade histórica, mas sim a continuidade de uma resistência iniciada ainda no século XIX.

Especialistas ouvidas pela Agência Brasil explicam que manifestações contrárias ao sufrágio feminino refletem estruturas históricas de misoginia, machismo e patriarcado, presentes desde a elaboração da primeira Constituição Republicana, em 1891.

Segundo as estudiosas, a conquista do direito ao voto foi resultado de décadas de mobilização política, organização social e enfrentamento institucional por parte das mulheres brasileiras.

O sufrágio feminino foi conquistado após décadas de mobilização

O direito ao voto feminino não surgiu por iniciativa espontânea do Estado brasileiro. A conquista ocorreu após intensa atuação de movimentos organizados que reivindicavam igualdade política e cidadania.

O marco jurídico aconteceu em 1932, quando o Código Eleitoral passou a reconhecer o direito das mulheres de votar e serem votadas. Dois anos depois, a Constituição de 1934 consolidou esse avanço.

Desde então, o direito evoluiu até alcançar o sufrágio universal garantido pela Constituição Federal de 1988, que proíbe qualquer distinção de direitos baseada em sexo.

Especialistas alertam para riscos dos discursos misóginos

Pesquisadoras destacam que manifestações que tentam deslegitimar o voto feminino representam ataques aos princípios constitucionais brasileiros.

A professora de Direito Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), afirma que qualquer discurso que questione o voto das mulheres contraria diretamente o artigo 14 da Constituição Federal, que estabelece o sufrágio universal.

Além disso, segundo ela, tais declarações também afrontam o artigo 5º da Constituição, que garante igualdade entre homens e mulheres e veda qualquer forma de discriminação.

As especialistas avaliam que esses discursos fazem parte do fenômeno conhecido como backlash, expressão utilizada para definir reações contrárias aos avanços conquistados pelos movimentos de defesa dos direitos das mulheres.

Mulheres são maioria do eleitorado brasileiro

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que as mulheres representam atualmente a maior parcela do eleitorado nacional.

Dados do eleitorado

  • Eleitoras aptas: 83.877.126
  • Eleitores aptos: 74.845.001
  • Mulheres representam mais de 53% do eleitorado brasileiro.

Além da maioria numérica, os levantamentos apontam que as eleitoras apresentam índices de escolaridade superiores aos registrados entre os homens em diversas faixas de ensino.

Para as pesquisadoras, esses dados reforçam a importância da participação feminina nas decisões políticas do país.

A história das sufragistas brasileiras

Diversas lideranças marcaram a luta pelo voto feminino.

Entre elas estão:

Bertha Lutz

Reconhecida como uma das principais articuladoras do movimento sufragista brasileiro, liderou campanhas nacionais e internacionais em defesa da igualdade política.

Leolinda Daltro

Fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, enfrentou forte resistência institucional e intensa perseguição da imprensa da época.

Almerinda Gama

Uma das primeiras mulheres negras a atuar na política brasileira e importante referência histórica na defesa da cidadania feminina.

As pesquisadoras ressaltam que essas lideranças utilizaram jornais, manifestações públicas, organizações políticas e campanhas educativas para ampliar o debate sobre os direitos das mulheres.

Educação e participação política continuam sendo desafios

Embora o voto feminino esteja consolidado juridicamente, especialistas afirmam que ainda existem barreiras para ampliar a presença das mulheres nos espaços de poder.

Entre os principais desafios apontados estão:

  • violência política de gênero;
  • desigualdade econômica;
  • menor representação em cargos eletivos;
  • discursos de intimidação contra candidatas e eleitoras;
  • persistência do machismo estrutural.

Segundo as pesquisadoras, fortalecer a educação, preservar a memória das sufragistas e ampliar campanhas de conscientização são medidas fundamentais para garantir a participação democrática.

A trajetória do voto feminino no Brasil demonstra que a conquista da cidadania política das mulheres foi resultado de décadas de mobilização e resistência. Especialistas defendem que preservar essa memória histórica é essencial para enfrentar discursos discriminatórios e fortalecer a democracia. Mais de 90 anos após a conquista do sufrágio, a participação feminina continua sendo considerada um dos pilares fundamentais do sistema democrático brasileiro.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando o voto feminino foi conquistado no Brasil?

O direito foi garantido pelo Código Eleitoral de 1932 e consolidado pela Constituição de 1934.

O voto feminino é protegido pela Constituição?

Sim. A Constituição Federal de 1988 assegura o sufrágio universal e proíbe discriminação por sexo.

Quantas mulheres podem votar em 2026?

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, mais de 83,8 milhões de brasileiras estão aptas a votar.

Por que especialistas criticam discursos contra o voto feminino?

Porque eles contrariam princípios constitucionais da igualdade e da democracia e representam retrocessos em direitos conquistados historicamente.

Quem liderou a luta pelo sufrágio feminino?

Entre os principais nomes estão Bertha Lutz, Leolinda Daltro e Almerinda Gama, além de diversas organizações femininas que atuaram ao longo do século XX.

Com Informações de Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil.

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