Estudantes com filhos enfrentam desafios para concluir a universidade, aponta levantamento

Pesquisa revela que mais da metade dos universitários com filhos já interrompeu a graduação para cuidar da família e reforça a necessidade de políticas públicas de permanência.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Estudantes com filhos enfrentam desafios para concluir a universidade, aponta levantamento
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

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  • Levantamento do MEC com mais de 7,4 mil estudantes mostra que 54,4% dos graduandos e 36,4% dos pós-graduandos com filhos já interromperam temporariamente o curso para cuidar das crianças.
  • A maioria dos participantes é composta por mães (86,5%), em geral negras, de baixa renda, com pouca ou nenhuma rede de apoio e forte vulnerabilidade econômica e alimentar para si e para os filhos.
  • Pesquisadores defendem a ampliação de políticas públicas de permanência estudantil, como creches universitárias, assistência financeira, alimentação para crianças em restaurantes universitários e bolsas permanência.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Mais da metade dos estudantes brasileiros com filhos precisou interromper ou abandonar temporariamente a graduação para conseguir conciliar os estudos com os cuidados familiares. O levantamento, elaborado por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC), também aponta dificuldades relacionadas à renda, alimentação, ausência de rede de apoio e acesso limitado a serviços de assistência estudantil.

Conciliar maternidade, paternidade e universidade ainda é um grande desafio

Mais de 54% dos estudantes de graduação com filhos já precisaram trancar a matrícula ou desistir temporariamente do curso para cuidar das crianças. Na pós-graduação, esse percentual chega a 36,4%, segundo levantamento realizado por um grupo de trabalho ligado ao Ministério da Educação (MEC).

O estudo ouviu mais de 7,4 mil pessoas em todo o país e evidencia que a permanência de estudantes com filhos no ensino superior ainda enfrenta diversos obstáculos, principalmente entre mulheres, pessoas negras e famílias de baixa renda.

Perfil dos estudantes com filhos

A pesquisa mostra que a maioria dos participantes é composta por mães, que representam 86,5% do total.

Entre os estudantes de graduação, o perfil predominante é formado por pessoas:

com média de 33 anos;
matriculadas em cursos presenciais;
que estudam principalmente no período noturno;
solteiras;
autodeclaradas pretas ou pardas;
matriculadas em universidades federais;
com apenas um filho;
vivendo com renda familiar de até um salário mínimo.

Segundo o levantamento, a busca pela formação superior representa uma tentativa de melhorar a renda e ampliar oportunidades profissionais, mas a responsabilidade com os cuidados familiares acaba dificultando a permanência na universidade.

Falta de apoio compromete permanência

Outro dado que chama atenção é a ausência de rede de apoio.

Enquanto 43,3% afirmam contar com ajuda de familiares ou amigos, praticamente um terço dos estudantes declarou enfrentar sozinho a rotina de estudos e cuidados com os filhos.

Apenas uma pequena parcela consegue contratar babás ou outros serviços particulares. O acesso a políticas públicas ou projetos comunitários também é reduzido, demonstrando limitações no suporte oferecido às famílias universitárias.

Alimentação também preocupa

O estudo aponta que os restaurantes universitários ainda não contemplam adequadamente os filhos dos estudantes.

Entre os universitários de graduação:

51% afirmaram que seus filhos não têm direito à alimentação nos restaurantes universitários;
apenas 7,1% disseram que esse atendimento é gratuito;
10,7% informaram que precisam pagar pela refeição;
30,3% sequer sabem se esse direito existe.

Na pós-graduação, os índices são semelhantes e revelam deficiência na divulgação das políticas de assistência estudantil existentes.

Segundo os pesquisadores, a falta de acesso à alimentação para as crianças agrava a vulnerabilidade social das famílias e pode influenciar diretamente na permanência dos estudantes no ensino superior.

Vulnerabilidade econômica permanece elevada

Os dados também mostram uma realidade financeira delicada.

Entre os estudantes da graduação:

16,1% não possuem qualquer rendimento;
14,5% vivem com até meio salário mínimo;
24,6% possuem renda de até um salário mínimo;
apenas 2,5% têm renda superior a dez salários mínimos.

Já entre os estudantes da pós-graduação, a situação financeira é um pouco mais favorável, embora ainda existam grupos em situação de vulnerabilidade.

Especialistas defendem ampliação das políticas públicas

Os pesquisadores destacam que os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas especificamente para estudantes com filhos.

Entre as medidas apontadas como prioritárias estão:

ampliação do acesso a creches universitárias;
fortalecimento da assistência estudantil;
alimentação para crianças nos restaurantes universitários;
bolsas permanência;
ações voltadas à maternidade e à paternidade durante a vida acadêmica.

O objetivo é reduzir a evasão universitária e garantir igualdade de oportunidades para estudantes que conciliam formação acadêmica e responsabilidades familiares.

Perspectiva

O levantamento deverá subsidiar futuras discussões sobre políticas de permanência estudantil no âmbito do Ministério da Educação. A expectativa é que os dados contribuam para o desenvolvimento de programas capazes de reduzir a evasão e ampliar o acesso ao ensino superior para mães, pais e responsáveis que enfrentam dificuldades para concluir a formação.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quem participou da pesquisa?

Mais de 7,4 mil estudantes de graduação e pós-graduação com filhos responderam ao levantamento realizado por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação.

Quantos estudantes já interromperam os estudos?

Na graduação, 54,4% afirmaram que já trancaram a matrícula ou desistiram temporariamente do curso. Na pós-graduação, o índice foi de 36,4%.

Quem representa a maioria dos participantes?

As mães correspondem a 86,5% dos entrevistados.

Quais são as principais dificuldades apontadas?

Baixa renda, falta de rede de apoio, dificuldade de acesso à alimentação para os filhos, ausência de creches e necessidade de conciliar estudos com os cuidados familiares.

O que os pesquisadores defendem?

A ampliação das políticas públicas de permanência estudantil, incluindo assistência financeira, alimentação, creches universitárias e apoio específico para estudantes com filhos.

 

Com informações de Letycia Treitero Kawada – Repórter da Agência Brasil

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