Passados 30 dias das tempestades históricas que devastaram a Zona da Mata Mineira, o cenário ainda é de luto e precariedade para milhares de desabrigados. As chuvas concentradas no final de fevereiro, que atingiram a marca recorde de 763,8 mm em Juiz de Fora o mês mais chuvoso da história da cidade, resultaram em 73 mortes e deixaram um rastro de mais de mil moradias destruídas. No bairro Parque Jardim Burnier, um dos mais afetados, sobreviventes relatam a dor de perdas familiares massivas e a dificuldade de acesso a tratamentos psicológicos e suporte habitacional.
A rotina das vítimas é marcada pela incerteza. Muitos moradores, como a aposentada Maria da Conceição, vivem em um movimento pendular, limpando casas interditadas durante o dia e buscando abrigo em parentes à noite. O impacto econômico também é severo: trabalhadores autônomos e comerciantes perderam contratos e estoques, acumulando dívidas enquanto esperam a liberação de recursos. A prefeitura de Juiz de Fora anunciou que o auxílio calamidade municipal será creditado nesta segunda-feira (23), mas o sentimento de abandono persiste entre aqueles que ainda não conseguiram atendimento nos centros municipais.
No âmbito federal, o governo mobilizou cerca de R$ 2 bilhões em recursos, que incluem o Auxílio Reconstrução de R$ 7,3 mil por família e a modalidade de Compra Assistida do Minha Casa Minha Vida para quem perdeu o imóvel. Até o momento, mais de R$ 200 milhões foram sacados via FGTS Calamidade em Juiz de Fora e Ubá. Entretanto, a burocracia no cadastramento e a validação pelas prefeituras retardam a chegada do dinheiro na ponta, onde famílias ainda dependem de doações voluntárias para itens básicos como alimentação e higiene.
Em Ubá, a inundação atingiu 11,6% do território urbano, afetando quase 5 mil pessoas diretamente. Já em Matias Barbosa, embora não haja perdas estruturais graves, 80% do comércio local foi impactado. Enquanto as administrações municipais buscam recursos para contenção de encostas e dragagem, as escolas tentam retomar as atividades; em Juiz de Fora, cinco unidades permanecem fechadas. O governo de Minas Gerais não detalhou seus investimentos na região até o fechamento desta edição, deixando lacunas sobre o suporte estadual na recuperação da Zona da Mata.









































