A cidade de Buriticupu, localizada a 415 quilômetros de São Luís, enfrenta uma crise geológica severa causada pelo avanço das voçorocas. As crateras, que em alguns pontos ultrapassam 30 metros de profundidade, ameaçam desestruturar o núcleo urbano e já atingem milhares de famílias. O fenômeno, que se arrasta por quatro décadas, atingiu níveis críticos neste período chuvoso, levando o município a um estado permanente de alerta.
O professor Marcelino Farias, do Departamento de Geociências da UFMA, explica que a fragilidade do solo e o relevo ondulado da região facilitam o processo erosivo. Contudo, o especialista destaca que a ação humana é o principal catalisador do desastre. O desmatamento ilegal para a pecuária na zona rural e a urbanização sem planejamento na área urbana direcionam o fluxo das águas pluviais diretamente para as encostas, ampliando as fendas no terreno.
Atualmente, Buriticupu vive sob o decreto de calamidade pública renovado em fevereiro de 2025. Embora recursos federais tenham sido destinados para projetos de drenagem no ano anterior, as obras não foram suficientes para conter o avanço das crateras. O crescimento da cidade sem a atualização do plano diretor permite que novas ruas sejam pavimentadas sem o escoamento adequado, o que incrementa a velocidade das enxurradas e gera novos pontos de erosão.
Especialistas defendem que a solução exige intervenções de bioengenharia, como o retaludamento das encostas e a revegetação das áreas degradadas. Além disso, é urgente a implantação de um sistema de esgoto eficiente para evitar que detritos colaborem com a instabilidade do solo. Sem medidas estruturais imediatas e o controle rigoroso da ocupação em áreas vulneráveis, o município corre o risco de sofrer um colapso urbano sem precedentes.










































