Os trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial aprovaram, nesta quinta-feira (12), uma proposta para o pagamento de salários e verbas trabalhistas atrasadas, pondo fim a uma das greves mais longas da história da indústria brasileira. A paralisação, que durava 1.280 dias, impedia a produção contínua da principal empresa bélica do país, sediada em Jacareí (SP). Com o acordo, as atividades devem ser reiniciadas oficialmente no próximo mês.
O plano aprovado prevê a quitação de uma dívida de R$ 230 milhões com cerca de 1,4 mil trabalhadores (entre ativos e ex-funcionários). O pagamento será parcelado em prazos que variam de 12 a 48 meses, escalonados conforme a faixa salarial. Para viabilizar a retomada, a nova gestão da Avibras realizará o desligamento dos 850 funcionários atuais para regularizar as dívidas e, em seguida, recontratará 450 profissionais para iniciar o novo ciclo operacional.
Recuperação Judicial e Mudança de Controle
A retomada da Avibras ocorre sob uma nova estrutura acionária. Em julho de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo destituiu o antigo proprietário, João Brasil Carvalho Leite, e transferiu 99% das ações para o fundo Brasil Crédito, um dos principais credores da companhia. Essa mudança, somada à homologação definitiva do Plano de Recuperação Judicial pelo Tribunal de Justiça, trouxe a segurança jurídica necessária para o aporte de recursos e a renegociação com os sindicatos.
A empresa, que acumula dívidas totais estimadas em R$ 600 milhões desde que pediu recuperação judicial em 2022, é considerada estratégica para a soberania nacional. Entre seus principais produtos estão o sistema de mísseis e foguetes Astros, veículos blindados e motores para a Marinha e a Força Aérea Brasileira. A Avibras afirmou, em nota, que a decisão dos trabalhadores é um passo fundamental para o fortalecimento da sua atuação nos setores de defesa e aeroespacial.








































