A ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fez um duro pronunciamento nesta terça-feira (10) sobre a persistente sub-representação feminina nos postos de liderança do país. Durante a abertura da sessão do tribunal, a magistrada destacou que as mulheres ainda enfrentam barreiras invisíveis, mas eficazes, que as mantêm afastadas dos círculos de influência e promoção profissional.
De forma metafórica, a ministra mencionou os “clubes de charutos” como símbolos de uma cultura masculina de convivência que facilita promoções e alianças exclusivas entre homens. Segundo ela, as mulheres encontram maior dificuldade de ocupação de cargos por não participarem desses espaços informais de lazer e decisão, que muitas vezes ocorrem fora do horário de expediente, momento em que muitas ainda lidam com a dupla jornada.
Além das barreiras profissionais, Cármen Lúcia trouxe à tona o cenário de violência doméstica e institucional que atinge as mulheres brasileiras. Para a ministra, o clima de crueldade e perversidade contra a mulher fere a dignidade de toda a sociedade. Ela enfatizou que cada ato de agressão ou ameaça contra uma cidadã representa uma violação direta aos direitos humanos de todas as mulheres.
O discurso ocorreu em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres Juízas, data que busca dar visibilidade à importância da paridade de gênero no Judiciário. A presidente do TSE reforçou que a democracia exige uma participação mais equilibrada e que a justiça só será plena quando as mulheres ocuparem, por direito e competência, os mesmos espaços de poder historicamente reservados aos homens.










































