Um mapeamento realizado pelo Instituto Sumaúma revelou que as populações quilombolas do Brasil estão profundamente engajadas em pautas de justiça climática, racial e territorial. O levantamento reconhece as práticas culturais e de comunicação desenvolvidas nesses territórios como formas essenciais de resistência, fundamentais para a proteção ambiental. Para a pesquisadora Juliane Sousa, dar visibilidade a esses dados é um passo vital para garantir direitos básicos que historicamente foram negados devido à escassez de estudos oficiais sobre essas comunidades.
A produção de conteúdo nos quilombos foca intensamente na manutenção da identidade e na proteção do modo de vida tradicional. De acordo com os dados coletados, as comemorações locais aparecem em 81% das produções comunicacionais, seguidas pelo registro do plantio e colheita do alimento em 73,6%. O artesanato e a contação de histórias também ocupam papel de destaque, presentes em 68% e 64,2% das atividades, respectivamente. Esses registros garantem que a memória e a oralidade das comunidades sejam preservadas sob a ótica de quem vive no território.
No entanto, a pesquisa também evidencia barreiras estruturais severas que limitam o alcance desse trabalho. O acesso precário à internet em zonas rurais, a falta de verba para equipamentos e a baixa acessibilidade de editais de financiamento dificultam a captação de recursos. Mais de 40% dos comunicadores quilombolas afirmaram não receber nenhuma remuneração pelas atividades desenvolvidas. Para combater essa invisibilidade, o Instituto Sumaúma lançou um mapa interativo que facilita o contato com esses agentes, promovendo o fortalecimento de coletivos como a Rede Kalunga, que atua na Chapada dos Veadeiros para valorizar a história e a autoestima da comunidade.








































