A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou a importância de ampliar a participação de meninas e mulheres nas áreas científicas durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, exibido nesta quarta-feira (11).
Segundo a ministra, apesar de as mulheres já representarem maioria nas universidades e na pós-graduação, ainda enfrentam obstáculos estruturais para avançar nas carreiras científicas, especialmente em áreas como engenharia e ciências exatas.
“Às vezes, a visibilidade é o que inspira as meninas a percorrerem essas carreiras científicas”, afirmou.
Política para fortalecer mulheres na ciência
Durante a entrevista, a ministra apresentou a Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação, lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A iniciativa reúne diferentes programas voltados à promoção da igualdade de oportunidades no campo científico, com o objetivo de ampliar o acesso, garantir permanência e estimular a presença feminina em áreas estratégicas de pesquisa e inovação.
De acordo com Luciana Santos, a política também busca consolidar a equidade de gênero, raça e diversidade como eixo permanente das ações do ministério.
Inclusão racial e bolsas de estudo
Entre as iniciativas citadas está o edital Atlânticas – Beatriz Nascimento, que oferece 90 bolsas de mestrado-sanduíche no exterior destinadas exclusivamente a mulheres negras, indígenas e quilombolas.
O programa busca ampliar oportunidades acadêmicas e fortalecer trajetórias científicas desses grupos historicamente sub-representados na pesquisa.
Incentivo desde o ensino médio
Outra ação destacada foi o programa Futuras Cientistas, voltado a estudantes do ensino médio. A iniciativa oferece experiências em laboratórios e incentiva o interesse de jovens pelas áreas de ciência e tecnologia.
Segundo a ministra, os resultados do programa têm sido positivos: cerca de 80% das participantes ingressam no ensino superior por meio do Enem, e 70% seguem carreiras ligadas à ciência e tecnologia.
Investimentos em pesquisa e inovação
Luciana Santos também ressaltou os investimentos do Governo do Brasil em infraestrutura científica, com destaque para projetos incluídos no Novo PAC.
Entre eles estão a ampliação do Sirius, considerado uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo, e a implantação do Laboratório Orion, estrutura destinada ao estudo de vírus e patógenos altamente perigosos.
Segundo a ministra, o laboratório permitirá ao Brasil antecipar pesquisas relacionadas a epidemias e pandemias.
Monitoramento de desastres e ciência aplicada
A entrevista também abordou o papel da ciência na prevenção de desastres naturais. Instituições vinculadas ao ministério, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, produzem dados e alertas antecipados utilizados pela Defesa Civil.
Atualmente, o sistema de monitoramento acompanha 1.942 municípios, alcançando cerca de 73% da população brasileira.
Repatriação de talentos científicos
Outro ponto destacado foi o programa de repatriação de pesquisadores brasileiros que atuam no exterior, financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
A iniciativa já atraiu cerca de 2,5 mil cientistas que desenvolviam pesquisas em universidades internacionais, como Universidade de Oxford e Universidade de Cambridge.
Segundo a ministra, o objetivo é fortalecer a capacidade científica e tecnológica do país.
Ciência no cotidiano da população
Luciana Santos também destacou que os investimentos em ciência e tecnologia têm impacto direto na vida da população, citando o desenvolvimento de vacinas brasileiras contra a Covid-19 e contra a dengue, além de iniciativas voltadas à produção nacional de equipamentos e medicamentos.
Para a ministra, fortalecer a ciência nacional é fundamental para reduzir dependências externas e ampliar a autonomia tecnológica do país.






































