Com o intuito de promover um ambiente digital mais seguro e informativo, a ONG Redes Cordiais lança, neste domingo (8), a cartilha “Fala que Protege: guia para comunicadores sobre a violência contra a mulher”. A iniciativa, que conta com o apoio do YouTube, surge como resposta ao aumento expressivo da repercussão de crimes de gênero na internet e à disseminação de discursos misóginos em grupos digitais.
O guia será disponibilizado gratuitamente e foca em transformar a maneira como influenciadores e jornalistas relatam agressões. A proposta principal é evitar a revitimização e garantir que a responsabilidade pelo crime seja atribuída corretamente ao agressor, combatendo estruturas como a voz passiva em manchetes e o detalhamento sensacionalista que agrava o trauma das sobreviventes.
Estatísticas e o papel das redes sociais
O lançamento coincide com dados alarmantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em 2025, o Brasil registrou 4.243 feminicídios, um aumento de quase 94% em comparação aos números de 2020. Para a diretora executiva do Redes Cordiais, Clara Becker, a internet tem funcionado como um amplificador de comportamentos de controle e posse, muitas vezes validados por comunidades que incitam o ódio contra o público feminino.
A cartilha também dedica um capítulo especial ao acolhimento. Ela orienta comunicadores que são procurados por vítimas a não duvidarem do relato, manterem o sigilo e encaminharem a pessoa para os canais oficiais, como o Ligue 180. A ideia é que o influenciador atue como uma ponte para a rede de proteção, reconhecendo seus limites e evitando a exposição não autorizada da vítima.
O material reforça que o consentimento é o pilar fundamental de qualquer relação e que a sua ausência define o crime. Com a regulamentação do programa de educação contra a violência nas escolas e agora com guias para o ambiente digital, as instituições buscam cercar o problema por diversas frentes para reverter os índices crescentes de violência doméstica.









































