Embora quatro em cada dez brasileiras já tenham experimentado viajar sem companhia, a insegurança continua sendo a principal barreira para o turismo solo feminino. Segundo a pesquisa “Mulheres que Viajam Sozinhas”, divulgada nesta quinta-feira (5), 62% das entrevistadas admitiram já ter cancelado planos de viagem por medo, e 61% relataram ter vivido situações de desconforto ou risco durante seus deslocamentos.
O estudo, que ouviu mais de 2,7 mil mulheres, destaca que essa preocupação é acentuada por recortes raciais: entre mulheres negras e indígenas, o índice das que deixaram de viajar por segurança sobe para 65,35%, evidenciando camadas extras de vulnerabilidade.
Perfil e Motivações da Viajante Solo
Apesar dos obstáculos, o grupo que se aventura sozinho é resiliente e busca, acima de tudo, autonomia:
Perfil: A maioria tem entre 35 e 54 anos (57%), fase associada à estabilidade financeira, e 68% não têm filhos.
Destinos: As regiões Sudeste (73%) e Nordeste (66%) são as mais procuradas.
Interesses: O turismo cultural (68%) e o ecoturismo (64%) lideram as preferências, seguidos por experiências de bem-estar e gastronomia.
Propósito: O lazer move 73% das viajantes, mas o exercício da liberdade e o autoconhecimento são pilares fundamentais para mais de 40% delas.
Guia para um Turismo Seguro
Para enfrentar esses desafios, o Ministério do Turismo lançou o Guia Para Mulheres que Viajam Sozinhas. A publicação oferece orientações práticas para as viajantes e diretrizes para operadores turísticos. Entre as principais demandas femininas para o setor estão:
Policiamento e Tecnologia: Mais câmeras e presença policial (29,3%).
Infraestrutura: Melhorias em transportes e hospedagens focadas no público feminino.
Representatividade: Maior presença de funcionárias mulheres, o que gera percepção de acolhimento e empatia.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, enfatizou que o direito de circular livremente sem o medo como companhia é uma pauta de cidadania e igualdade de gênero. O guia já está disponível para consulta online e integra o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.











































