A tragédia provocada pelas fortes chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, levanta questionamentos sobre a eficácia dos sistemas de prevenção e comunicação de riscos. Sobreviventes e especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) defendem a implementação urgente de um plano que instrua a população sobre rotas de fuga e abrigos. Até esta sexta-feira, 27, o balanço oficial contabilizava mais de 60 mortos e milhares de desabrigados, no que já é considerado um dos eventos climáticos mais extremos da história do município.
No bairro Jardim Parque Burnier, uma das áreas mais castigadas, o cenário é de destruição. O local, que concentra mais de 20 vítimas fatais, possui um histórico conhecido de deslizamentos por estar cercado de encostas íngremes. O pedreiro Danilo Frates, que escapou com vida, relatou que não recebeu nenhum aviso sonoro ou mensagem de alerta antes de a encosta ceder. Segundo ele, a percepção do perigo só ocorreu quando uma nuvem de poeira subiu dos escombros, dificultando qualquer tentativa de aviso aos vizinhos.
Para especialistas da UFJF, embora a cidade possua um mapeamento de riscos, a comunicação com as comunidades vulneráveis falhou. O professor Miguel Felippe destaca que não basta monitorar; é preciso que os moradores saibam exatamente para onde ir ao primeiro sinal de perigo. Por outro lado, a prefeitura de Juiz de Fora argumenta que o sistema de mensagens via celular está ativo, mas que muitas pessoas resistem a deixar seus imóveis por medo de saques ou por acreditarem que a estrutura resistirá, como em anos anteriores.
A secretária de Desenvolvimento Urbano, Cidinha Louzada, explicou que Juiz de Fora é a nona cidade brasileira com maior risco geológico. Ela afirmou que o uso de sirenes sonoras é considerado inadequado para as características do terreno local pela Defesa Civil. Como medida de longo prazo, o município aposta em obras de contenção que somam R$ 500 milhões em recursos federais e na entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida para retirar famílias de áreas condenadas. Com o solo saturado por um volume de chuva que não se via há 30 anos, o risco de novos soterramentos permanece alto.










































