O Exército Brasileiro anunciou nesta sexta-feira, 27, a indicação da coronel-médica Claudia Lima Gusmão Cacho para o posto de general-de-brigada. Natural de Pernambuco, a oficial fará história ao se tornar a primeira mulher a integrar o generalato da Força Terrestre, posto que deve ser oficializado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 31 de março. Com este anúncio, o Exército se une à Marinha e à Aeronáutica, que já possuem mulheres em seus quadros de oficiais-generais, todas oriundas da área de saúde.
A trajetória da coronel Claudia no Exército começou em 1996, como oficial temporária em Goiânia. Após ingressar no quadro de carreira por concurso em 1998, a médica acumulou quase três décadas de experiência em funções operacionais e de gestão hospitalar. Entre suas passagens de destaque, estão a direção do Hospital de Guarnição de Natal (RN) e do Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS). Sua promoção é vista pela instituição como um reconhecimento à competência técnica e à evolução da representatividade feminina nas fileiras militares.
Presença feminina nas Forças Armadas
A indicação da coronel Claudia encerra um ciclo de pioneirismo nas cúpulas militares do país. Embora as mulheres venham ocupando cargos de comando, o acesso ao topo da carreira ainda é concentrado em quadros de apoio, como o de saúde.
Marinha: Pioneira com Dalva Maria Carvalho, promovida a contra-almirante em 2012.
Aeronáutica: Carla Lyrio Martins tornou-se brigadeiro em 2020 e a primeira major-brigadeiro (três estrelas) em 2023.
Exército: Terá Claudia Lima Gusmão Cacho como sua primeira general-de-brigada em 2026.
Recorde de alistamento feminino em 2026
Além da conquista no alto comando, o ano de 2026 marca um avanço significativo na base da instituição. Na próxima segunda-feira, 2 de março, mais de mil mulheres ingressarão no Exército como soldados. O número é resultado de um processo de seleção que contou com 33.720 inscritas em todo o território nacional, demonstrando o crescente interesse feminino pela carreira das armas desde as etapas iniciais de serviço.
O caminho para as quatro estrelas
Apesar do avanço histórico, o posto mais alto das Forças Armadas Brasileiras, simbolizado por quatro estrelas (General de Exército, Almirante de Esquadra ou Tenente-Brigadeiro), ainda não foi alcançado por uma mulher. Atualmente, o quadro de oficiais combatentes, que permite o acesso ao comando máximo das forças, abriu suas portas para mulheres na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) apenas em anos recentes, o que significa que as primeiras generais de quatro estrelas devem surgir apenas nas próximas décadas.










































