A concentração de poluentes atmosféricos no Brasil ultrapassa frequentemente os limites máximos admitidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revela o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025. Divulgado nesta quinta-feira, 26, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o documento utiliza, pela primeira vez, os novos padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A resolução atualizou os limites nacionais em 2024, criando etapas de transição para que o país alcance as metas internacionais de saúde respiratória.
Os dados mostram que apenas o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de nitrogênio (NO₂) mantiveram-se dentro dos níveis admissíveis na maior parte do tempo. Por outro lado, substâncias como o ozônio e o material particulado — composto por micropartículas que penetram nos pulmões e na corrente sanguínea — mantiveram-se consistentemente acima dos limites intermediários de segurança. Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo concentram os maiores índices de alerta, refletindo a densidade urbana e a atividade industrial dessas regiões.
Tendências regionais e governança
O relatório destaca aumentos significativos na concentração de ozônio em estados como Bahia e Espírito Santo, enquanto o Rio Grande do Sul registrou alta no monóxido de carbono. Um ponto positivo foi a redução de 8,4% no material particulado fino em algumas estações de São Paulo. Contudo, o MMA reforça que os estados precisam fortalecer seus planos de gestão e inventários de emissões para frear a tendência de degradação da qualidade do ar, especialmente em áreas próximas a escolas e centros urbanos.
Desafios no monitoramento
A rede nacional de monitoramento cresceu 19% em relação ao ano anterior, contando agora com 570 estações. Apesar da ampliação, o relatório aponta falhas graves na transmissão de dados: 75 estações estão inativas e outras 21 não informaram seu status ao Sistema MonitorAr. Especialistas alertam que a subnotificação impede a criação de planos de contingência eficazes para dias de “pico de poluição”, eventos extremos que, embora curtos, causam danos severos e imediatos à saúde pública.
A implementação da Política Nacional de Qualidade do Ar, sancionada em 2024, é vista como o principal avanço para centralizar essas informações. O desafio para 2026 será a atualização do Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (Pronar) e o estabelecimento de parâmetros críticos que obriguem a interrupção de atividades poluidoras em dias de baixa qualidade atmosférica, protegendo populações vulneráveis como crianças e idosos.








































