O avanço de plataformas que permitem criar sites sem conhecimento técnico, aliado à popularização dos programas de afiliados, tem impulsionado uma nova geração de empreendedores digitais no Brasil.
O movimento acompanha o aquecimento do mercado global de marketing de afiliados, que atingiu US$ 23,37 bilhões em 2025, segundo dados da Global Growth Insights, com projeção de alcançar US$ 93,11 bilhões até 2033.
Os dados refletem, em parte, a maior acessibilidade de ferramentas digitais, que têm reduzido as barreiras técnicas e financeiras para quem quer começar a empreender pela internet.
Dados do Ministério do Empreendedorismo mostram que os microempreendedores individuais (MEIs) responderam por 75,85% de todas as empresas abertas no Brasil no primeiro quadrimestre de 2025, representando cerca de 1,4 milhão de novos registros em apenas quatro meses.
Plataformas reduzem a barreira técnica para novos negócios
Encontrar o melhor criador de sites se tornou uma tarefa menos complexa para iniciantes. “Hoje é muito mais fácil começar a empreender digitalmente do que há alguns anos. Um microempreendedor consegue sair da ideia para o site no ar em poucos minutos, usando criadores de sites com modelos prontos, integrações de pagamento e recursos de marketing embutidos”, afirma o especialista em SEO na HostGator Latina América, Fernando Carvalho.
Há dados que exemplificam a nova realidade. A plataforma Shopify, de criação de lojas virtuais, registrou aumento de 30% nas parcerias com afiliados em 2024. Já o WordPress e o plugin WooCommerce, ferramentas que facilitam a rotina de empreendedores sem conhecimento de programação, foram responsáveis, respectivamente, por alimentar 43,2% de todos os sites da internet e sustentar o comércio virtual de 17% das lojas digitais em todo o mundo. “Isso reduz bastante a barreira técnica e de custo para quem está dando os primeiros passos”, reforça Carvalho.
Modelo de comissão por indicação dispensa estoque e logística
Afiliados são pessoas em sua maioria, mas também podem ser empresas que promovem produtos de terceiros e recebem comissão por venda realizada. Esse modelo de divulgação dispensa estoque, logística ou criação de mercadoria própria: basta o afiliado divulgar links rastreáveis em sites, blogs ou redes sociais para receber pagamento quando o consumidor finalizar a compra.
Segundo dados da PostAffiliatePro, mais de 80% das marcas já utilizam programas de afiliados para impulsionar as vendas, o que amplia as oportunidades para criadores de conteúdo e donos de sites.
Blogs geram tráfego e comissões para 65% dos comerciantes afiliados, aponta a VenueLabs. Redes sociais alcançam 65% dos profissionais do setor, segundo a Authority Hacker. O Facebook lidera a preferência com 75,8%, seguido pelo Instagram com 61,4%. No Brasil, um dos maiores exemplos é o Parceiro Magalu, programa do Magazine Luiza que já conta com mais de 300 mil afiliados.
Carvalho destaca que os melhores programas de afiliados “mudaram o jogo”. “Muita gente consegue começar no digital sem ter um produto próprio, apenas recomendando serviços em que confia e recebendo comissão por isso. Quando você combina sites pré-prontos, um bom criador de sites e programas de afiliados estruturados, o empreendedor consegue testar nichos, ajustar sua comunicação e escalar mais rápido, focando em conteúdo, audiência e relacionamento, não em resolver toda a parte técnica sozinho.”
Sucesso no setor exige estudo de mercado
Segundo a PostAffiliatePro, 95% dos afiliados “novatos” fracassam ou desistem ainda no primeiro ano de atividade, geralmente por falta de resultados rápidos. A distribuição de receita também é desigual: os 10% melhores afiliados concentram cerca de 90% de todo o faturamento do setor, conforme apontam dados da mesma fonte e da VenueLabs.
Aproximadamente 52% dos pequenos afiliados enfrentam dificuldades para ganhar visibilidade em nichos competitivos, indica a Global Growth Insights. A Business Research Insights acrescenta que 42% dos profissionais citam baixo tráfego ou desafios de conversão como barreiras.
A comparação com resultados de terceiros pode distorcer expectativas e acelerar a desistência. A recomendação geral para iniciantes é estudar o mercado, escolher uma estratégia e manter o foco até obter resultados. Selecionar produtos validados também é importante, com foco naqueles que têm suporte do produtor, em vez de apostar em itens desconhecidos. De acordo com a PostAffiliatePro, ferramentas de Inteligência Artificial (IA) auxiliam 79% dos afiliados a escalar produção de conteúdo e otimizar estratégias.
Alguns erros recorrentes, mesmo entre quem não é mais iniciante, apontados pelos estudos são: ignorar as políticas de cada rede social e ser classificado como “spam”, além de desconsiderar as regras do produtor sobre regiões e públicos-alvo.










































