O governo brasileiro oficializou, nesta segunda-feira, 23, três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a Coreia do Sul, focadas na fabricação de medicamentos biológicos estratégicos. O acordo, assinado durante a missão oficial do presidente Lula e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a Seul, prevê a transferência de tecnologia para a produção nacional dos fármacos bevacizumabe, eculizumabe e aflibercepte. O investimento do Ministério da Saúde está estimado em R$ 1,104 bilhão apenas no primeiro ano.
A medida visa reduzir a dependência brasileira do mercado externo e fortalecer a soberania do SUS. Atualmente, esses medicamentos representam um alto custo para o orçamento público por serem importados. Com a internalização da fabricação, o governo espera diminuir vulnerabilidades diante de crises globais de abastecimento e estimular a geração de empregos qualificados na indústria farmacêutica nacional. As fundações públicas Funed (MG) e Bahiafarma (BA) serão as responsáveis por receber a tecnologia das parceiras privadas Bionovis e Samsung Bioepis.
Entre os destaques está o aflibercepte, usado para tratar a degeneração macular (visão), e o eculizumabe, vital para pacientes com Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), uma doença rara do sangue. No tratamento oncológico, o bevacizumabe é amplamente utilizado contra diversos tipos de câncer. Além dos medicamentos, o acordo estabelece um Memorando de Entendimento para cooperação em saúde digital, ecossistemas de dados e terapias avançadas, integrando os sistemas de inovação dos dois países.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, as parcerias oferecem previsibilidade para o setor privado e garantem que terapias de ponta cheguem à população de forma sustentável. Ao todo, foram firmados seis acordos que englobam também testes diagnósticos e novas tecnologias oftalmológicas. A colaboração reforça o papel do Brasil como um polo emergente de biotecnologia na América Latina, aproveitando a expertise sul-coreana em inovação biomédica e farmacêutica.
As novas linhas de produção devem começar a ser instaladas nas fundações públicas nos próximos meses, seguindo o cronograma de qualificação técnica e rigor sanitário da Anvisa. A expectativa é que, em médio prazo, o Brasil se torne autossuficiente na produção desses insumos, reduzindo significativamente os gastos com importações e ampliando a oferta de tratamentos complexos na rede pública de saúde.




































