A edição do Giro News exibida em 12 de fevereiro de 2026 colocou no centro da conversa um tema que atravessa vidas, famílias e a rotina de quem estuda, trabalha e tenta apenas viver em paz, a violência contra a mulher. Ao lado da equipe do News Rondônia, as universitárias Ana e Larissa trouxeram definições claras, exemplos do cotidiano e uma leitura direta do que muitas mulheres sentem, medo, pressão social e risco real até em situações simples, como recusar uma aproximação.
Logo no começo, Ana define misoginia como aversão e ódio direcionados às mulheres pelo simples fato de elas serem mulheres, não por comportamento, roupa ou escolhas. Ela reforça que isso aparece nas ruas, nas redes sociais e na forma como a mulher passa a calcular cada passo, desde uma ida à padaria até um trajeto comum, sempre com a pergunta silenciosa, “e se acontecer algo?”. Na sequência, Larissa amplia o ponto ao dizer que a misoginia não está apenas em atitudes individuais, ela se espalha pelo cotidiano, molda relações e cria um ambiente onde muitas mulheres se sentem inseguras até para dizer “não”.
Quando o programa entra no conceito de violência de gênero, as falas ganham um tom mais estrutural. Ana explica que se trata de um problema que vem de décadas, alimentado por uma lógica de posse e desigualdade, e que mesmo com avanços legais, como a Lei Maria da Penha, ainda há um abismo entre o que está na lei e o que acontece na vida real. O debate passa também por práticas sociais que reforçam o problema, como discursos que pregam submissão feminina e influenciam adolescentes em fase de formação de valores, criando uma base perigosa para comportamentos agressivos e desumanizadores.
Ao falar dos tipos de violência, o programa destaca que nem tudo deixa marcas visíveis. Larissa aponta como a violência psicológica pode ser difícil de identificar porque começa com controle, desqualificação e medo, muitas vezes em público, e vai minando a autoestima da vítima. Já Ana aborda a violência patrimonial, explicando como o controle do dinheiro, do acesso a recursos e até do direito de trabalhar pode prender a mulher em relações abusivas, especialmente quando ela não tem rede de apoio. O recado é direto, autonomia financeira e rede de suporte podem ser diferença entre permanecer em risco e conseguir sair.
Um dos trechos mais simbólicos da edição aparece quando surge a ideia de que “dados vencem argumentos”. A fala destaca que, quando o assunto é violência, não dá para relativizar com opinião, os números existem para mostrar padrão, repetição e urgência. O programa cita o DataSenado como referência para ouvir a população e medir a dimensão do problema, e a conversa segue para um ponto local: o que Porto Velho e Rondônia podem fazer de forma prática, com imprensa, faculdades, projetos, campanhas e espaços constantes de debate que tirem o tema do “assunto do momento” e coloquem como prioridade contínua.
A edição também entra no caso da professora Juliana, tratado como um marco de dor e mobilização. O relato das universitárias reforça o impacto coletivo do crime dentro da instituição, com estudantes e professores se sentindo quebrados, inseguros e, ao mesmo tempo, mais decididos a cobrar justiça e mudanças. Em outro momento, elas mencionam boatos e narrativas falsas que circularam após o crime, destacando como a desinformação também agride a vítima mesmo depois da morte, e como isso exige responsabilidade nas redes e nos comentários.
No fim, o programa assume um tom de chamado público. As mensagens finais pedem denúncia, acolhimento e coragem para procurar ajuda, sem romantizar o medo e sem normalizar o abuso. Há também uma cobrança clara por ações das autoridades, além do reconhecimento aos professores que seguem em sala de aula, muitas vezes se sentindo vulneráveis. O Giro News fecha a edição reforçando que o enfrentamento da violência contra a mulher é tarefa coletiva, e que homens também precisam assumir postura ativa, não como “favor”, mas como dever de civilidade, justiça e humanidade.






































