A Vila Isabel vai homenagear Heitor dos Prazeres no carnaval deste ano, encerrando uma lacuna histórica do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Fundador de cinco escolas de samba, o artista nunca havia sido tema central de um desfile na elite do carnaval carioca.
Com o enredo Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África, a escola pretende destacar a trajetória múltipla de Heitor, que foi compositor, cantor, pintor, cenógrafo e liderança cultural ligada às religiões de matriz africana.
Heitor dos Prazeres participou da fundação da Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca, Vizinha Faladeira e Deixa Falar. Apesar da relevância histórica, sua obra ainda não havia sido explorada como enredo no Grupo Especial, apenas em divisões de acesso.
Os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora explicam que a proposta é apresentar os diferentes momentos da vida do artista como se fossem sonhos atravessados pela própria Vila Isabel. A narrativa será dividida a partir dos nomes e identidades assumidos por Heitor ao longo da vida, como o menino Lino, o Ogã Alabê-Nilu e o sambista Heitor do Cavaco.
Religiosidade e origem do samba
A religiosidade terá papel central no desfile. Heitor foi ogã no terreiro de Tia Ciata, figura fundamental para a consolidação do samba no Rio de Janeiro. A antiga Praça Onze, berço do samba e espaço de resistência da cultura negra, será uma das referências simbólicas da apresentação.
Segundo os carnavalescos, a proposta também busca reposicionar Heitor dos Prazeres como um dos grandes nomes da arte brasileira moderna. A escola pretende valorizar sua produção pictórica, muitas vezes rotulada como arte ingênua ou primitiva, e reforçar sua importância para a cultura nacional.
Recepção da comunidade
O anúncio do enredo ocorreu na Pedra do Sal, na região conhecida como Pequena África. A escolha do local reforçou o vínculo entre o homenageado, a história do samba e a identidade negra do Rio.
A comunidade da Vila Isabel, formada majoritariamente por moradores do Morro dos Macacos e do Morro do Pau da Bandeira, recebeu o enredo com entusiasmo. A escola desfilará no terceiro dia de apresentações do Grupo Especial, levando à avenida uma narrativa que conecta passado e presente do carnaval carioca.
A homenagem a Heitor dos Prazeres amplia o debate sobre reconhecimento histórico no samba e reafirma a importância de personagens fundamentais para a construção cultural do país.










































