Quem sobe o Monte Roraima não enfrenta somente 2.860 metros de altitude, enfrenta o próprio limite do seu corpo, o cansaço que em silêncio caminha ao lado da resiliência, o vento que testa a convicção, a umidade que pesa no corpo e a dúvida que sussurra para que você venha a desistir. Eu fui. Subi. Permaneci ali admirando cada espaço, cada detalhe daquela paisagem.

Agora, ao me ver ali como pesquisador da vida do Mal. Rondon, como historiador da nossa história regional, como homem da Amazônia que carrega o sangue de um amazônida, a emoção não veio da estética. Ela veio do reencontro. É a imagem daquele tepui dizendo: “Você esteve lá. Você venceu.”
Em minhas andanças, percebi que poucos escrevem sobre Rondon.
Menos ainda pisam onde ele pisou. Ou sequer vão atrás de suas trilhas.
E raríssimo fazem as duas coisas, como eu tenho feito ao longo de década.A lágrima que escorreu em meu rosto, não foi fragilidade.
É consciência do percurso que fiz para chegar até aqui.
Hoje eu posso dizer que não subi apenas uma montanha.
Subi mais um capítulo da nossa História.
E essa experiência será eterna enquanto vida estiver.Guardarei toda essa experiência não apenas em fotografias.
Guardarei, sim. Como reconhecimento do que vivi.
“Há imagens que apenas retratam… e há imagens que parecem contar uma história. Essa, sem dúvida, carrega a força simbólica de quem subiu o Monte Roraima, não apenas com os pés, mas com a memória, com a pesquisa e com o compromisso com a História”. Dr. Lourismar
Há momentos na vida que não cabem em medalhas, títulos ou currículos. Eles cabem no silêncio da montanha onde estiver e na lágrima que vem depois.
Enfrentei a subida física que não foi fácil.
Enfrentei o peso da pesquisa e do pesquisador.
Enfrentei menos desafios que o nosso Mal. Rondon que foi o pioneiro em abrir o caminho rumo ao cume. Todos esses desafios foi para manter viva a memória de Rondon. E venci. Com dignidade, com estudo e coragem.
Se um dia a emoção voltar novamente ao rever as fotografias, lembrarei: não foi a montanha que me fez grande. Eu que dei grandeza à montanha ao transformá-la em História.










































