A edição desta semana do Única Talks trouxe um diálogo necessário e profundo sobre educação, cidadania e responsabilidade social. O convidado foi o juiz Audarzean Santana da Silva, que, com quase 25 anos de magistratura, compartilhou reflexões que vão além do Direito e tocam diretamente a vida de quem acredita que o conhecimento é o principal instrumento de transformação social.
Logo na abertura, o magistrado destacou a importância de espaços como o Única Talks para aproximar o Judiciário da sociedade. Para ele, a presença de juízes e promotores em ambientes de diálogo público ajuda a desmistificar o sistema de Justiça e a mostrar que as instituições existem para garantir direitos e mediar conflitos. “O Judiciário é um dos poderes do Estado e precisa estar perto das pessoas, porque é ali que os direitos são assegurados quando alguém os tem negados”, explicou.
Ao longo da conversa, Audarzean falou sobre sua trajetória, que começou em 2001, com passagem pelo Acre e, desde 2005, em Rondônia. Hoje, atuando na área criminal, ele destacou os desafios diários da função e a necessidade de dedicação integral para lidar com processos que envolvem vidas, histórias e decisões difíceis. Mesmo assim, reforçou que a docência continua sendo uma das experiências mais ricas de sua carreira, por permitir uma troca constante com os alunos e estimular o aprendizado mútuo.
Um dos pontos centrais da entrevista foi o papel da educação na formação humana. Para o juiz, a educação não serve apenas para entregar um diploma ou uma profissão, mas para formar cidadãos capazes de conviver com diferenças, respeitar limites e lidar com frustrações. Ele lembrou que muitos dos episódios de violência que chocam a sociedade têm relação direta com a incapacidade de aceitar o “não” e de controlar emoções. “Educação socioemocional é fundamental para aprendermos a compreender o outro e a nós mesmos”, afirmou.
O tema ganhou ainda mais peso quando o magistrado comentou um caso recente que abalou Porto Velho e ganhou repercussão nacional. Sem entrar em detalhes processuais, ele falou sobre a dor de uma vida perdida e de outra que também se destrói quando um crime acontece. Para Audarzean, a sociedade precisa encarar de frente o problema do feminicídio e repensar, coletivamente, como educar crianças e jovens para lidar com frustrações, limites e respeito.
Outro ponto debatido foi a responsabilidade social das instituições de ensino superior. Segundo ele, não basta formar tecnicamente, é preciso oferecer ferramentas para que o aluno desenvolva consciência crítica e compromisso com a comunidade em que vive. Disciplinas como ética, sociologia e filosofia, por exemplo, cumprem esse papel de ampliar a visão de mundo e ajudar o futuro profissional a entender que sua atuação impacta outras pessoas.
O juiz também falou sobre o avanço do ensino a distância, especialmente após a pandemia. Para ele, apesar de todos os desafios, o EAD democratizou o acesso à educação, reduziu custos e permitiu que pessoas que antes não conseguiam frequentar uma universidade pudessem estudar. No entanto, fez questão de frisar que a qualidade da formação depende, acima de tudo, do comprometimento do aluno. “O professor é mediador, mas quem constrói o próprio conhecimento é o estudante”, resumiu.
Durante a conversa, Audarzean compartilhou histórias pessoais e exemplos que reforçam sua crença na educação como ferramenta de mudança. Vindo de uma família simples, ele destacou que foi o estudo que abriu caminhos e possibilitou alcançar um cargo de responsabilidade e respeito. “Eu sou testemunho vivo do que a educação é capaz de fazer com alguém”, disse, em um dos momentos mais emocionantes da entrevista.
Ao final, a mensagem foi clara, investir em educação é investir em vidas melhores, em uma sociedade mais justa e em relações mais humanas. Em tempos de polarização e violência, o diálogo, o conhecimento e o respeito aparecem como caminhos possíveis para reconstruir pontes e fortalecer a convivência.









































