O Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti levará para o Carnaval de 2026 o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, que explora as conexões culturais entre Brasil e Cuba. A proposta destaca como a escravização de africanos legou aos dois países uma vasta fortuna cultural, presente no idioma, na culinária e na sacralidade.
Inspirado no livro de Nei Lopes, o enredo aborda a religiosidade do Ifá, que une espiritualidade e racionalidade. O carnavalesco Jack Vasconcelos estruturou o desfile em seis setores, partindo da chegada do conhecimento dos primeiros sacerdotes na Terra até a expansão para outras civilizações africanas.
A narrativa também percorre a resistência ao trabalho escravo em Cuba, com destaque para a Revolta de Matanzas em 1843. O episódio foi liderado por Carlota Lacumí, uma mulher escravizada que manteve viva a tradição religiosa iorubá em solo caribenho mesmo sob opressão.
O desfile apresentará Adeshina Remigio Herrera, considerado o primeiro sacerdote do Ifá em Cuba, e mostrará o encontro da espiritualidade dos orixás com os povos originários. Elementos rituais, como oferendas e assentamentos, serão comparados à estrutura do candomblé brasileiro.
A apresentação se encerra com a chegada dessa tradição ao Brasil na década de 1990, trazida pelo sacerdote cubano Rafael Zamora Díaz. O desfile homenageia o legado de Díaz, que se estabeleceu no Rio de Janeiro antes de ser vítima de um crime violento em 2011.
A Paraíso do Tuiuti desfila na terça-feira de Carnaval, sendo a primeira escola a entrar na avenida no terceiro dia de desfiles do Grupo Especial. A agremiação busca repetir o sucesso de 2018, quando alcançou o vice-campeonato com um enredo focado na temática da escravidão.









































