Utilizar o transporte coletivo em Porto Velho (RO) deixou de ser apenas uma necessidade e, para muitos usuários, passou a representar um avanço na mobilidade urbana da capital. Atualmente, cerca de 60 mil pessoas utilizam o serviço, segundo dados da Secretaria Municipal de Trânsito, Mobilidade e Transporte (Semtran). Desde o processo licitatório iniciado em 2020, que concedeu à empresa JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos Ltda. a concessão do sistema, andar de ônibus passou a despertar, em parte da população, um sentimento de maior respeito pelo serviço, que apresentou melhorias operacionais. É importante ressaltar que a empresa também foi contemplada em 2025, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um aporte de aproximadamente R$ 47 milhões destinados à renovação do transporte público coletivo, via Ministério das Cidades.

No entanto, essa percepção positiva não se estende à infraestrutura das paradas de ônibus. Em diversas regiões da cidade, especialmente nas zonas Sul e Leste, os pontos de embarque e desembarque, muitos são incompatíveis com a realidade de uma capital de clima tropical e úmido. No Centro, a Praça Marechal Rondon, popularmente conhecida como “Praça do Baú”, concentra um dos maiores fluxos de passageiros do transporte coletivo, mas também escancara a exposição diária dos usuários ao sol e à chuva. A reportagem do News Rondônia foi às ruas para ouvir quem utiliza o transporte público diariamente. De forma quase unânime, as respostas apontaram problemas estruturais nos pontos de ônibus. O estudante da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Eduardo Rivero, afirma que esperar pelo coletivo tornou-se um martírio. “Falta uma melhor cobertura nas paradas. A gente pega sol e chuva o tempo todo”, declara.

Na avenida Sete de Setembro, uma das mais movimentadas da capital, as paradas localizadas nas proximidades da Praça Rondon não comportam a quantidade de passageiros que aguardam os ônibus diariamente. No local, a espera se transforma em um verdadeiro “salve-se quem puder”. Os usuários precisam recorrer à própria habilidade para driblar as dificuldades, começando pela tentativa de encontrar algum abrigo para escapar do sol ou da chuva. “Todo mundo passa por aqui: quem vai para os bairros, estudantes, trabalhadores. Em dias de pico vira um tumulto. É gente para todos os lados tentando se proteger. Hoje mesmo vim para debaixo dessa marquise por causa da chuva, mas normalmente é para fugir do sol”, relata o estudante Iel Karitiana.

Durante o período de estiagem, os pontos de ônibus são insuficientes para proteger os usuários da forte insolação. Muitos se abrigam atrás da estrutura metálica das paradas ou buscam sombra improvisada sob marquises de comércios próximos. À noite, o local ainda se transforma em rota de voos rasantes de morcegos que habitam a área. “Antes de sair de casa, eu já uso protetor solar. Não tem como ficar exposto a uma radiação dessas. Essa é uma realidade que já dura décadas em Porto Velho. A impressão é que ninguém observa as condições em que o povo espera o ônibus. O que em outros lugares é o básico da qualidade de vida do morador, aqui acaba sendo tratado como luxo”, lamenta a moradora Gleici Prata.

Em muitos pontos da cidade não existem sequer bancos. É o caso das paradas da avenida Campos Sales, após o Colégio Classe A, e da rua Poti, no bairro Vila Tupi, às margens da BR-364, no sentido Rio Branco (AC). “É preciso adaptar as paradas à nossa realidade”, reclama o estudante Ander Correia.

Para os usuários, os pontos de ônibus construídos durante a gestão do ex-prefeito Hildon Chaves (MDB) não foram projetados para atender às necessidades locais. As estruturas predominantemente metálicas, além de absorverem calor, tornaram-se alvos frequentes de vandalismo, especialmente em áreas com menor fluxo de passageiros. Em muitos pontos, os bancos foram arrancados, obrigando os usuários a aguardarem os coletivos em pé, à margem de vias movimentadas e sob sol intenso. Apesar do tempo decorrido desde os registros de depredação, diversas paradas seguem sem manutenção. Na Vila Princesa, região rural da capital, há pontos de ônibus cercados pelo mato. “As paradas estão precárias, muitas sem cobertura. A demora do ônibus coloca o passageiro em risco de todas as formas”, reforça Rivero, que cobra atenção do poder público para um problema que, segundo ele, parece simples, mas permanece sem solução.

O cenário evidencia não apenas o desconforto enfrentado diariamente pela população, mas também falhas no planejamento urbano voltado ao transporte público. Em entrevistas ao News Rondônia, passageiros afirmaram não se sentir confortáveis nas paradas de ônibus da capital e defendem que a Prefeitura planeje e construa abrigos adequados às condições climáticas locais.

Os usuários também lamentam a ausência de terminais de integração, especialmente em áreas de grande fluxo. Segundo eles, os projetos poderiam incorporar elementos que remetam à identidade histórica e cultural da cidade, contribuindo para a valorização do espaço urbano. “Quem usa o transporte público sabe: hoje, ao chegar a uma parada em Porto Velho, o desejo é que o ônibus chegue rápido para fugir daquele local, muitas vezes sem qualquer condição de conforto, sem sombra e sem um banco para sentar”, resume um passageiro.
Outro problema recai sobre a ocupação irregular das calçadas por comerciantes. Em algumas áreas, produtos e estruturas de lojas avançam sobre o espaço público, dificultando a circulação e comprometendo a segurança de quem aguarda o transporte coletivo. Na avenida Jatuarana, por exemplo, é comum a instalação de banners e placas de propaganda que obstruem a visão dos usuários.
Em frente ao supermercado Irmão Gonçalves, na zona Sul da capital, os passeios públicos acabam sendo usados como extensão das lojas, ocupados por propagandas e mercadorias. A situação evidencia a falta de fiscalização do Código de Postura do município. Diante do cenário, usuários cobram da Prefeitura de Porto Velho fiscalização rigorosa e ações concretas para assegurar condições mínimas de segurança e mobilidade nas paradas de ônibus. “Essas propagandas próximas às paradas tiram a nossa visão. Às vezes, a gente só percebe o ônibus chegando quando o veículo já está muito próximo. A prefeitura precisa observar essa situação e dialogar com os comerciantes, pois acredito que o Código de Postura proíba esse tipo de prática”, reclama outro usuário do transporte coletivo.









































