Os moradores das favelas brasileiras iniciam 2026 com um foco claro na sobrevivência e na melhoria das condições de vida. Segundo o estudo Sonhos da Favela, o desejo de reformar ou conquistar uma casa melhor lidera os planos das famílias (31%), seguido de perto pela busca por acesso a serviços de saúde de qualidade (22%).
A pesquisa, que ouviu 4.471 pessoas em dezembro de 2025, traça um perfil de uma população predominantemente negra (82%) e trabalhadora, mas que ainda enfrenta graves negligências estatais. No campo da infraestrutura, o saneamento básico é a mudança mais urgente para 26% dos entrevistados, superando educação e transporte.
A questão da segurança pública revela um cenário de profunda desconfiança institucional. A opção “nenhuma delas” foi a mais votada (36%) quando os moradores foram questionados sobre quais instituições confiam para protegê-los. A Polícia Militar aparece com 27% de confiança, enquanto 13% afirmam sentir medo com a presença policial no território.
O estudo também joga luz sobre os desafios de gênero e raça. Para 70% dos participantes, a violência doméstica e o feminicídio são os maiores obstáculos enfrentados pelas mulheres nas comunidades. Além disso, metade dos entrevistados acredita que a cor da pele impacta diretamente nas oportunidades de trabalho e renda.
Para Cléo Santana, copresidente do Data Favela, os dados servem como um alerta para que o poder público desenhe políticas a partir da visão de quem vive o território. O maior desejo simbólico capturado pela pesquisa é o de “ir e vir com tranquilidade”, refletindo um cotidiano ainda marcado pelo medo e pela busca por sobrevivência.










































