Reencontros, às vezes, dizem mais sobre o futuro do que sobre o passado. O meu reencontro hoje 4 de fevereiro no Portal das Américas com meu ex-aluno Daniel Pitt Bull, hoje em processo de afirmação na vida pública, revelou não apenas a trajetória de um ex-aluno, mas o amadurecimento de uma consciência política enraizada na defesa da história de Rondônia.
Em seus anos de formação na escola Tiradentes da Polícia Militar já demonstrava interesse pelas narrativas que estruturam a identidade rondoniense: a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, a presença dos povos originários, a ocupação dos seringais rondonienses, o papel estratégico dos rios amazônicos, a formação de Porto Velho, além do legado histórico de Marechal Rondon, símbolo maior da integração e do respeito às culturas da floresta. Todos esses temas fizeram parte da vida acadêmica do nosso Daniel Pitt Bull
Seu olhar atento para a história do passado não se dissipou com o tempo. Ao contrário, fortaleceu-se. Hoje, empresário e engenheiro agrônomo, ao se aproximar da atuação política, Daniel Pitt Bull compreende que Rondônia não pode ser pensada apenas a partir de projetos imediatos ou disputas eleitorais, mas como um território de memória, pertencimento e responsabilidade histórica.
Sua postura pública tem demonstrado a defesa da história regional como instrumento de cidadania. Valorizar a memória rondoniense, reconhecer os saberes tradicionais e preservar o patrimônio material e imaterial do estado são ações que dialogam diretamente com o desenvolvimento sustentável e com a construção de políticas públicas mais justas e conscientes.
Para quem vem acompanhando sua trajetória como eu, desde os tempos de sala de aula, esse reencontro carrega um significado especial. Ele confirma que a educação, quando comprometida com a realidade local, forma mais do que profissionais: forma lideranças capazes de compreender o passado para agir com responsabilidade no presente.
Rondônia vive um momento em que necessita de representantes que conheçam suas origens e respeitem sua diversidade histórica e cultural. A emergência de novas lideranças com esse perfil sinaliza esperança. Afinal, não há projeto de futuro sólido sem o reconhecimento da história que nos trouxe até aqui.
Quando um ex-aluno retorna à cena pública como defensor da memória regional, a escola, silenciosamente, cumpre novamente sua missão. E Rondônia ganha não apenas um nome em ascensão na política, mas um guardião de sua própria história.
Prof. Dr. Lourismar Barroso
Historiador/Escritor








































