O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, nesta quinta-feira, 29, o balanço das operações de combate ao trabalho análogo à escravidão realizadas em 2025. Ao todo, 2.772 pessoas foram resgatadas, revelando uma mudança histórica no padrão desse crime: pela primeira vez, a maioria das vítimas (68%) foi localizada em atividades urbanas, superando o setor rural.
A construção civil consolidou-se como o principal foco de exploração nas cidades, com 601 trabalhadores resgatados em obras de alvenaria e outros 186 em edificações. Outros setores com números expressivos foram a administração pública, com 304 casos, e o cultivo de café, que registrou 184 resgates. O perfil das vítimas reflete vulnerabilidades sociais profundas, sendo 83% pessoas negras e 86% homens.
Mato Grosso liderou o ranking nacional de resgates, com 607 trabalhadores libertados, seguido pela Bahia (482), Minas Gerais (393) e São Paulo (276). Um dos casos de maior impacto ocorreu em Porto Alegre do Norte (MT), onde 586 operários foram encontrados em condições degradantes em uma usina, após um incêndio revelar alojamentos superlotados e jornadas exaustivas de 16 horas.
As ações fiscais do último ano garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas, que também tiveram acesso ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado. Segundo o MTE, o aumento nos resgates urbanos é fruto do aperfeiçoamento das técnicas de fiscalização em locais anteriormente “invisíveis” aos órgãos de controle.
As autoridades reforçam que denúncias de trabalho escravo, jornadas exaustivas ou servidão por dívida podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, pelo telefone 158 ou pelo Sistema Ipê na internet. A colaboração da sociedade é considerada essencial para enfrentar o recorde de denúncias, que atingiu a marca de 4.515 registros ao longo de 2025.









































