Na edição do Única Talks exibida nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, o programa recebeu o Dr. Arlen Souza, juiz de direito do Tribunal de Justiça de Rondônia, para uma conversa direta sobre Justiça, políticas públicas e o papel do Judiciário em um momento de forte polarização e de desafios na segurança pública.
Logo na abertura, o magistrado se apresentou destacando a trajetória: 25 anos na magistratura em Rondônia, atuação como professor universitário e passagem anterior pela Polícia Militar, onde chegou ao posto de tenente-coronel. A conversa foi conduzida em tom de diálogo acadêmico, com foco em explicar, para o público, temas que normalmente ficam restritos aos tribunais e às universidades.
Judiciário em evidência, ativismo e judicialização
Ao comentar a conjuntura brasileira, Arlen Souza apontou que o Judiciário passou a ser mais cobrado e mais observado, especialmente quando a sociedade exige respostas rápidas para conflitos públicos. Nesse ponto, ele reforçou a necessidade de diferenciar ativismo judicial de judicialização da política, defendendo que as “balizas” da atuação judicial precisam ser compreendidas para reduzir ruídos e interpretações equivocadas.
Fake news, “mundo de narrativas” e responsabilidade na fala
Um dos trechos mais sensíveis do programa foi quando o juiz falou sobre desinformação. Ele chamou atenção para a velocidade das redes sociais e para o risco de conteúdos superficiais ganharem “cara de verdade” apenas porque circulam muito, lembrando que profissionais do Direito, professores e comunicadores precisam ter cuidado redobrado com o que dizem e compartilham.
Tecnologia e inteligência artificial a favor da Justiça
O magistrado também comentou o uso de tecnologia no dia a dia do Judiciário, citando ferramentas que ajudam a resumir processos, organizar informações e criar mapas mentais para casos extensos. Ao mesmo tempo, fez um alerta: quando a tecnologia é usada sem conferência, pode gerar erros graves, inclusive com “jurisprudências falsas”, reforçando que a ferramenta auxilia, mas não substitui a responsabilidade humana.
Segurança pública não é só polícia
Com emoção e senso de realidade local, Arlen Souza defendeu que segurança pública não se resolve apenas com endurecimento penal. Para ele, a discussão precisa incluir infraestrutura, saúde, educação, transporte, trabalho e dignidade, porque políticas sociais consistentes reduzem a pressão que empurra parte da população para a marginalização.
Sistema prisional, audiência de custódia e garantias
O juiz também abordou o tema das garantias no processo, rebatendo frases comuns no debate público, como “a polícia prende e o juiz solta”. Ele explicou que a Justiça atua para equilibrar direitos, evitar abusos e dar respostas dentro da lei, citando a audiência de custódia como mecanismo que pode tanto impedir prisões indevidas quanto permitir decisões mais rápidas quando o caso exige.
Justiça Eleitoral e confiança nas instituições
Na parte final, Arlen Souza comentou desafios da Justiça Eleitoral diante da comunicação acelerada nas redes. Ele destacou que a missão central é garantir confiança, participação e integridade do processo eleitoral, afirmando que o debate público precisa ser mais qualificado para que o eleitor vote com segurança e com base em informação.
Educação como virada de chave
Encerrando, o magistrado falou sobre conciliar magistratura e docência e reforçou uma ideia que atravessou todo o programa: educação transforma, amplia senso crítico e reduz desigualdades. Foi um fechamento com tom humano, conectando história pessoal, serviço público e o papel social do conhecimento.






































