Ao longo do episódio do Bora Ali, a entrevistada Tatiana Sadeck, representante do Sebrae Rondônia, defendeu que o turismo no estado tem um ativo central capaz de organizar e impulsionar diferentes produtos, a Floresta Amazônica. A conversa passeia por temas que vão da pesca esportiva à observação de aves, passando por turismo gastronômico, experiências ribeirinhas e turismo de base comunitária no Baixo Madeira.
Logo no início, Tatiana reforça a importância de posicionar Rondônia de forma mais clara no mercado, nacional e internacional, destacando que muitos viajantes sonham com a Amazônia como destino, mas acabam escolhendo estados que há mais tempo trabalham marca, comunicação e prateleira comercial. Para ela, o desafio de Rondônia não é falta de atrativos, e sim organização, qualificação e estratégia de vitrine, para transformar o potencial em fluxo constante de visitantes e negócios para empreendedores.
Amazônia como produto, e Rondônia como experiência
A entrevistada explica que vários segmentos podem funcionar como “porta de entrada” para o turismo rondoniense. Entre os exemplos citados, a pesca esportiva aparece como um dos segmentos mais maduros, por já ter histórico de presença em feiras, construção de nicho e atração de público específico. A partir daí, ela defende que o mesmo visitante pode se interessar por outras vivências integradas, como observação de pássaros, turismo de aventura e turismo de experiência.
Nesse ponto, a conversa ganha um tom bem regional, valorizando o que o turista busca cada vez mais: experiências que não estão no cotidiano dele. O episódio cita desde o pôr do sol e o nascer do sol no Rio Madeira, até momentos simples que viram memória para quem visita, como tomar um tacacá à beira do rio, encarar a chuva amazônica, provar um peixe na brasa e conhecer a rotina ribeirinha de perto.
Baixo Madeira e turismo de base comunitária
Um dos blocos mais fortes da entrevista é sobre o turismo de base comunitária, com destaque para a Reserva do Lago do Cuniã, no Baixo Madeira. Tatiana relata que o modelo coloca a comunidade tradicional como protagonista e busca equilibrar renda extra, preservação cultural e sustentabilidade. Ela cita a importância de parcerias e governança, com a atuação conjunta de instituições e organizações, incluindo universidade, órgãos ambientais e redes locais, para garantir organização, capacidade de carga, segurança e continuidade.
A ideia central apresentada é que o visitante não deve “moldar” a comunidade, e sim viver a cultura como ela é, com respeito e autenticidade. Na prática, isso significa transformar o cotidiano em produto turístico com curadoria, como alvorecer no lago, trilhas interpretativas, contato com a fauna, observação de aves, e vivências ligadas ao extrativismo e à gastronomia local.
Governança, qualificação e rede de atendimento ao turista
A entrevista também aponta que o turismo não se sustenta só com propaganda, e sim com governança ativa e continuidade de projetos. Tatiana menciona conselhos, câmaras temáticas e a união entre poder público, iniciativa privada e instituições de apoio como caminho para avançar.
Ela chama atenção para um ponto prático: muitas vezes, o turista chega por trabalho ou visita familiar e decide fazer algo “de última hora”. Nesse momento, quem influencia a experiência é a rede inteira, recepção de hotel, motoristas de mobilidade urbana, restaurantes e serviços. Por isso, o esforço de qualificação precisa alcançar toda a cadeia, para que Rondônia surpreenda positivamente e aumente permanência, consumo e recomendação.
O “Bora Ali” da Tatiana, e o turismo rural como tendência
No encerramento, a apresentadora faz a pergunta surpresa clássica do programa, “onde é o teu Bora Ali?”. Tatiana responde com uma dica alinhada ao que ela defende na entrevista, turismo rural e experiências simples com família, citando cafés e espaços regionais próximos, com natureza, boa comida e tempo de qualidade longe das telas. A recomendação fecha o episódio reforçando que Rondônia tem opções acessíveis e próximas, e que a experiência bem organizada é o que transforma o passeio em lembrança.






































