A capital Manaus tem atraído atenção como centro logístico do tráfico de drogas na Amazônia. Uma investigação jornalística, inclusive, já publicada aqui pelo News Rondônia confirmou a tendência, revelando que 67% dos municípios da região Norte estão dominados por organizações criminosas originárias do Sudeste do país. O Comando Vermelho já intimida até mesmo os moradores de municípios já sob seu controle.

Segundo um levantamento, a principal rota de tráfico de drogas provenientes do Peru e da Colômbia é o rio Solimões, que nasce em Tabatinga, na região de fronteira. Dali, o entorpecente segue por diversos municípios às margens do rio, alcançando Tefé, Manaus, Belém e, por fim, Recife (PE). A partir de Recife, a substância é então distribuída para a Europa. Essa informação é do Coronel da Polícia Militar Walter Cruz, especialista em Segurança Pública, e foi divulgada em reportagem para a Record Amazonas. Ele também aponta indícios de que parte da carga é enviada por via aérea para a América do Norte e outros países da América Latina.

Alertas recentes revelam um cenário alarmante no Norte do Brasil: a crescente expansão do crime organizado na Amazônia. Investigações mostram que grupos criminosos, originários do Sudeste, já controlam vastas áreas, infiltrando-se em comunidades carentes e terras indígenas. Manaus, na região amazônica, se estabeleceu como a principal porta de entrada da droga que chega ao Brasil, vinda especialmente da Colômbia, do Peru e da Bolívia. Essa intensa atividade criminosa internacional desvirtua o papel vital do rio Solimões: suas águas, que deveriam ser fonte de vida, são agora usadas para transportar essas drogas até portos do Nordeste e Sudeste brasileiros, de onde seguem para a Europa.

Apesar dos esforços da polícia de fronteira, a vasta rede de colaboradores permite que essa rota escape da fiscalização. Segundo o coronel da Polícia Militar do Amazonas, a presença das organizações criminosas é tão alarmante que, em algumas regiões, elas já aprofundaram seus tentáculos, substituindo até mesmo o poder estatal. Ele exemplifica: “Tenho relatos de municípios no Amazonas onde o Comando Vermelho se instalou”.
O especialista ressalta que o combate ao crime exige uma atuação coordenada do Estado. Embora não mencione diretamente o Governo do Amazonas, ele atribui a problemática do estado vizinho à ausência de controle governamental. Segundo Cruz, a aparente negligência permitiu que o crime organizado se instalasse e dominasse bairros carentes de infraestrutura e policiamento efetivo. Ele afirma: “Esse poder paralelo só será desmantelado quando o Estado assumir, de fato, seu papel nas políticas públicas de controle social. Para isso, é fundamental um planejamento prévio que priorize o mapeamento das áreas dominadas por facções e a atuação integrada das forças de segurança. O objetivo é reduzir a criminalidade e garantir que a população não precise mais viver sob o domínio do tráfico”.
A crise amazonense pode se espalhar para Rondônia
A crise no estado do Amazonas pode intensificar a criminalidade em Rondônia, já que a BR-319 se consolidará como mais um corredor logístico para as atividades ilícitas. A possível reabertura das obras da BR-319 pode intensificar ainda mais a atuação dessas organizações, que já causam instabilidade na capital Porto Velho e em municípios adjacentes. Estudos indicam que rodovia servirá como um entreposto crucial para a prática de crimes, facilitando a expansão da criminalidade e do tráfico de drogas na região sul da Amazônia. A expectativa é que a capital, Porto Velho, e todo o seu entorno percebam um aumento significativo dessas atividades ilícitas com a reabertura da rota.

A vasta extensão da Floresta Amazônica, em conjunto com a potencial reabertura total da BR-319, pode facilitar a criação de novas rotas para o narcotráfico. Embora leis federais ainda restrinjam a reabertura da rodovia, paradoxalmente, crimes como o desmatamento em seu entorno acabam favorecendo a atividade criminosa na região conhecida como Amacro – uma designação que une os nomes Amazonas, Acre e Rondônia, ao sul da Amazônia. Essa conexão, hoje feita quase integralmente pela hidrovia do Rio Madeira, poderá ser complementada pela BR-319, consolidando Rondônia como rota estratégica para o tráfico de drogas.
No entanto, reportagens, incluindo as já publicadas pelo jornalista Emerson Barbosa no site News Rondônia, revelam que o próprio governo estadual não dispõe de dados ou levantamentos estatísticos locais que avaliem os reais impactos da possível pavimentação da BR-319 para a população rondoniense. Enquanto isso, os estudos existentes focam-se apenas nos prejuízos ambientais. “Consequentemente, a população permanece sem respostas claras sobre as consequências socioeconômicas que a reabertura completa da BR-319, a rodovia federal que conecta Porto Velho a Manaus (AM) – pode acarretar”, ressalta o jornalista.
Em novembro, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia. A cerimônia contou com a presença de presidentes sul-americanos, com destaque para o da Colômbia. Financiado com R$ 36,7 milhões do Fundo Amazônia. A iniciativa coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e gerida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Centro visa combater crimes transnacionais na região Norte.
A instituição ressalta o papel fundamental dos países amazônicos no combate à criminalidade. Nesse sentido, o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) – um projeto inovador que integra Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa, além dos nove estados brasileiros da Amazônia Legal – atuará em estreita colaboração com redes internacionais como Interpol, Ameripol e Europol. O foco é ampliar o compartilhamento de dados estratégicos entre os países da região e estabelecer um núcleo de inteligência, investigação e ação conjunta para combater crimes ambientais, mineração ilegal e o tráfico de drogas, armas e pessoas. As informações são baseadas em dados do governo federal.











































