O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou presença na solenidade de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), marcada para esta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026. O encontro acontece no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador e reúne lideranças de todo o país para debater o desenvolvimento sustentável e as estratégias da organização para os próximos anos.
A participação de Lula ocorre em um momento de cobrança por parte do movimento, que é um aliado histórico do governo, mas mantém críticas à velocidade das políticas de assentamento. O MST alega que os dados atuais de famílias assentadas estão sendo inflados por regularizações em áreas antigas, sem avanços significativos na criação de novos lotes ou na destinação de hectares para a reforma agrária.
Demandas e acampamentos
Atualmente, o MST contabiliza cerca de 100 mil famílias vivendo em acampamentos, número que sobe para 142 mil quando somados outros movimentos populares cadastrados no Incra. A organização pressiona para que o governo acelere os processos de desapropriação de terras para atender a essa demanda represada, defendendo que apenas a criação de novos assentamentos pode garantir o avanço real da reforma agrária no Brasil.
Em resposta, o governo federal destaca o programa Terra da Gente, que estabeleceu como meta o assentamento de 295 mil famílias em novas áreas até o final de 2026. No balanço do último ano, foram registrados 12,2 mil novos lotes em 385 mil hectares distribuídos por 24 estados. A solenidade em Salvador deve servir como palco para novos anúncios e para o reforço do diálogo entre a gestão federal e os trabalhadores do campo.
Produção de alimentos e sustentabilidade
Além da posse da terra, o 14º Encontro Nacional prioriza o debate sobre a produção de alimentos saudáveis, livre de agrotóxicos. O MST tem investido na estruturação de cadeias produtivas agroecológicas, buscando ampliar a oferta de produtos para o mercado interno e para programas governamentais de segurança alimentar, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
A escolha de Salvador para o evento reforça a importância política da região Nordeste para a pauta agrária. A expectativa é que o discurso de encerramento do presidente aborde a integração entre a reforma agrária e as metas ambientais do país, relacionando a agricultura familiar com o combate às mudanças climáticas e o fortalecimento da economia regional.










































