A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, ocorrida neste sábado, 17 de janeiro, em Assunção, representa uma mudança estratégica para a economia brasileira. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tratado permitirá que o Brasil acesse mais de um terço do comércio global de bens, aproveitando que o bloco europeu responde sozinho por 28% das importações mundiais.
Com a entrada em vigor do texto, 54,3% dos produtos negociados terão imposto zerado de imediato para ingressar na Europa. Pelo lado sul-americano, o Brasil garantiu prazos de transição mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de diversos itens industriais. Essa carência visa permitir que o parque fabril nacional se adapte à nova concorrência de forma gradual e previsível.
A CNI estima que a cada 1 bilhão de reais exportados para a União Europeia, são gerados aproximadamente 21,8 mil empregos no Brasil. No setor do agronegócio, o acordo estabelece cotas favoráveis para carnes e arroz, superando volumes concedidos a outros parceiros comerciais da Europa. O tratado também foca na sustentabilidade, incentivando parcerias em tecnologias de descarbonização e hidrogênio de baixa emissão.
Atualmente, a União Europeia é o segundo principal mercado externo do Brasil, atrás apenas da China, e o maior investidor produtivo no país. Para que as novas regras passem a valer, o texto ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul, processo que deve ocorrer ao longo dos próximos meses.










































