A cultura brasileira perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas nesta quinta-feira, 15, com a morte de Vera Valdez. A notícia foi confirmada pelo Teatro Oficina, grupo ao qual a artista era profundamente ligada, em uma homenagem que celebrou sua trajetória eterna como modelo e atriz de cinema e teatro.
Nascida no Rio de Janeiro em 1936, Vera Valdez construiu uma carreira internacional sólida ainda nos anos 1950. Filha de diplomatas, ela viveu na Europa e se tornou um ícone das passarelas francesas ao desfilar para nomes como Christian Dior e Coco Chanel, estabelecendo-se como a pioneira entre as brasileiras no mercado de luxo global.
No retorno ao Brasil, Valdez diversificou sua atuação e se inseriu na indústria cinematográfica paulista, participando de produções como As Cariocas e O Homem Nu. Sua vida pessoal também foi marcada pela proximidade com grandes intelectuais, tendo sido casada com o fotógrafo Pedro de Moraes, filho do poeta Vinícius de Moraes.
Durante o período da ditadura militar, a trajetória de Vera Valdez foi interrompida pela repressão política. Ela foi detida pelo Doi-Codi e sofreu torturas antes de se exilar novamente na Europa. O retorno definitivo ao país ocorreu após a Lei da Anistia, quando iniciou uma colaboração histórica com o diretor José Celso Martinez Corrêa no Teatro Oficina.
Mesmo aos 80 anos, Vera Valdez permanecia ativa na cena artística nacional. Seus trabalhos mais recentes incluíram o longa-metragem A Alegria É a Prova dos Nove e a série Cidade Invisível, produzida para o streaming em 2023. A causa do falecimento e os detalhes sobre o cerimonial de despedida ainda não foram divulgados pela família.










































