O Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da UFMG, revelou que o Brasil atingiu a marca de 365.822 pessoas vivendo nas ruas ao final de 2025. O dado representa um salto em relação aos 327.925 registrados no ano anterior.
O levantamento utiliza como base o Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. Segundo os pesquisadores, o aumento reflete a precarização das condições de vida pós-pandemia e a insuficiência de políticas estruturantes de moradia e emprego.
A Região Sudeste é o epicentro da crise social, abrigando 222.311 pessoas, o que equivale a 61% do total nacional. O estado de São Paulo lidera as estatísticas com mais de 150 mil cidadãos sem moradia fixa, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Representantes de movimentos sociais apontam que, apesar da redução da insegurança alimentar grave, o custo de vida impede a manutenção do teto. Muitas famílias enfrentam a escolha impossível entre pagar o aluguel ou comprar alimentos e medicamentos essenciais.
Especialistas do Observatório também citam as emergências climáticas e os deslocamentos forçados na América Latina como fatores que pressionam os centros urbanos. A ausência de capacitação profissional para o novo mercado tecnológico agrava o isolamento desses cidadãos.
Em resposta, o governo de São Paulo afirma ter repassado 145 milhões de reais exclusivos para ações voltadas a essa população. Entre as medidas estão a ampliação de restaurantes populares e programas de acolhimento terapêutico para dependentes químicos.
Entidades de direitos humanos defendem que a solução exige o combate ao preconceito e a sensibilização de empresários para a contratação dessas pessoas. O foco deve ser tratar o morador de rua como um cidadão desempregado que busca reinserção.
O Ministério dos Direitos Humanos ainda não comentou os novos dados. A tendência de crescimento contínuo desde 2022 coloca o tema como um dos maiores desafios para as políticas públicas brasileiras nos próximos anos.






































